Em desproposito (deguste)

em despropósito
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Em despropósito (mixórdia)

Abilio Pacheco

Capítulo I

Parti de Marabá rumo a Belém num ônibus das 22 horas que saiu quase meia-noite.

Muitas das histórias desse trecho, tão repetido por mim, são pouco agradáveis de se contar. Delas, das genéricas, pouco ou nada devo explanar aqui; apenas digo ser devido a elas eu não costumar dormir antes de chegar a Jacundá. Quem tem costume nestas plagas sabe que entre uma e outra cidade a distância é de 150 km, cerca de hora e meia, e, no permeio, duas paradas: a primeira em Morada Nova, ainda Marabá, mas a 12 km da sede do município, ou antes, a 12 km da ponte sobre o Rio Tocantins. A segunda parada é em Nova Ipixuna, onde minha alma gêmea, Irma, morou – como ela diz – um curto-longo tempo, intermináveis cento e dois contados dias. Lá nos conhecemos e namoramos de início…

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A porta de vidro

A porta de vidro

Semana passada, fui ao chaveiro tirar cópias de umas chaves. O molho tinha três chaves. Segurei duas delas e disse que gostaria de uma cópia de cada. Era uma senhora. Ela recolheu das minhas mãos, sumiu e depois voltou segurando a que não era para copiar e disse: duas cópias, certo? Não, senhora – respondi – uma de cada das outras duas. Ela revirou o chaveiro e fez cara de quem entendeu mas não gostou.

Colocou uma das chaves num suporte. Depois tirou e disse: É de uma porta de vidro. Como não disse nada, ela insistiu: Não é de uma porta de vidro!? Eu lhe disse que não. Ela puxou um huuummmm prolongado. Continue Lendo “A porta de vidro”