A pequena tia Elza

Minha crônica “A pequena tia Elza” foi selecionada para a Antologia “No meio do caminho tinha um professor”. Livro organizado por Natanal Vieira e Angeli Rose.
Minha crônica é uma homenagem a minha professora alfabetizadora Tia Elza, que morava na Rua do Sol, em Coroatá, MA. Anos 80.
É uma versão atualizada mas reduzida da crônica God saves the little Elza que publiquei em 2011.

Agora é só aguardar o livro chegar.

ENTREVISTA para ingressar em escola… particular

ENTREVISTA para ingressar em escola… particular

Há cerca de um mês vivi uma experiência no mínimo interessante. Como a escola onde meu filho menor estuda encerrou as atividades, saímos em busca de uma para 2019.

Numa das escolas, marcaram uma entrevista – condição para ingressar na escola (lembre: particular e cara). Tínhamos que ir os três. Sentamos os três diante da pedagoga que definiu onde cada deveria sentar. Fomos alocados: os pais de cada lado do estudante e ele no meio de frente para a “entrevistadora” que ficou atrás do computador lendo as perguntas.

Ela pediu que inicialmente apenas ele respondesse. Perguntou como era seu cotidiano, se ele fazia alguma outra atividade extra-escolar, se ele assistia muito TV ou jogava muito (celular etc), quanto tempo utilizava para estas atividades, se ele se comportava na sala na escola, se fazia as tarefas de casa (como arrumar cama, guardar brinquedos…), que tipo de lanche comia… E a gente ouvindo.

Quando, enfim, os pais puderam falar, ela pediu para ele ficar caladinho e continuou fazendo perguntas agora para nós. Sempre dizendo que já estava quase terminando, até que encerrou a entrevista.

Daí eu perguntei se eu também poderia saber algumas coisas. De susto, ela respondeu que sim. Eu quis saber qual a metodologia da escola, quem era a professora e se poderia ver o livro didático.

Ela se atrapalhou para falar sobre o método, não tinha exemplar do livro para eu ver e disse que não sabia o nome da professora, mas que eu ficasse despreocupado porque eles haviam feito uma chamada de emprego, feito um treinamento com alguns profissionais que depois deram uma aula para a direção da escola e que a pessoa já estava contratada. Ah sim… e que o salário que eles pagam é o melhor da cidade.

Lembrem-se: uma escola particular! E meu filho não era candidato à bolsa. Eu não conseguia entender o porquê de tudo aquilo.

Diante do meu incômodo, eu terminei falando: que para mim (sou professor há mais de 20 anos) saber o método era importante; ver o livro didático e avaliar algumas coisas mesmo que não seja 100% como penso, também era importante; e saber quem era profissional que ia trabalhar com meu filho também. Aí fui eu que me atrapalhei. Acho tão óbvio que os pais possam conhecer os professores dos filhos (esse contato pessoal, humano, não-artificial é importante) que não consegui explicar direito a pedagoga-entrevistadora-recrutadora. Disse apenas que não estava deixando um carro numa oficina onde um selo de qualidade de atendimento é o suficiente para atestar qualidade.

Enfim… meu maior incômodo mesmo foi o processo de admissão. Nós passamos em várias escolas para escolher em qual delas matricular nosso filho, mas ali eu sentia que a escolha não era minha, não era do pagador de mensalidade, não era do cliente, não era do pai preocupado com a educação para o filho. A escolha era da escola. Como empresa, eles é que estavam selecionando seus clientes.

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Aconteceu comigo em Marabá-PA.

Se vocês já viram algo semelhante em outro lugar… eu gostaria muito de saber a respeito