Em Despropósito (mixórdia) é meu primeiro romance. Acredito que seja também o primeiro romance que tenha Marabá como cenário. Escrevi tendo em mente a cidade e seus cidadãos e imagino ser o melhor presente que possa lhe(s) oferecer neste centenário. Canto peregrino à Jerusalém celeste é um livro de poemas cristãos escrito a partir de mote retirado do Salmo 137. Ao marulhar do Tocantins é uma coletânea reunindo trabalhos de seis autores marabaenses.
Na Antologia Literária Cidade – volume 10, publico o poema “meditação ao Tocantins”, um passeio pelo cais da Cidade Velha.
– Lançamento: Auditório do Campus da UFPa – Dia 04 de Abril – às 20:00
– Sessão de autógrafos e bate-papo: Biblioteca central de Marabá Bairro Pioneiro Dia 05 de Abril de 9:00 às 12:00 (manhã)
– Bate-papo com estudantes na Escola Salomé Carvalho-Dia 06 de Abril às 14:00.
Eis um trecho do capítulo 16 do meu romance “Em Despropósito (mixórdia)” que será lançado em Marabá em Abril.
“Saindo de Ipixuna para estudar, [Irma] ficaria lá em casa até quando se arrumasse. Arrumou-se comigo. Um come quieto. Para ela, eu era manso para mulher. Desses de comer quieto para me repastar, ter mais bis. Tinha certeza de eu conhecer Marabá, e se duvidasse o sul do Pará, como mãe conhece filho. Estivemos em alguns lugares repetidos principalmente ao aberto, mas também desbravamos uns cantinhos só nossos. Tivemos alguns idílios. Costumava buscá-la no Plínio, no período em que trabalhou como cargo ‘r’. Algumas vezes tomávamos um gostoso sorvete de bacuri no entorno da Praça Duque de Caxias. Outras vezes seguíamos pela orla, que já era bela, apesar das ruínas de obra e implosão malogradas. Ainda não era essa de hoje, mas nós aproveitávamos luares e luas naquelas escadas à margem do Tocantins nos meses de estio. Por vezes, namoramos feito adolescentes em praça submersa aproveitando cheia. Aquilo era coisa mágica. Tínhamos contados os degraus que davam ao rio: quarenta e três, mas à enchente, o Tocantins cobria-nos o pescoço. Uns irresponsáveis; a praça farta de pessoas, lavando roupas, louças, carros, motos… e nós de festinha. O quanto gostávamos aquilo, não tem conta. Tinha também as serestas na UFPA, no Tapiri, e voz e violão num e noutro bar, Tontura, Ideal, Choperia… Cheguei a pensar em levá-la para a Toca do Manduquinha. Marcelo estaria tocando naquele sábado e nós não perderíamos aquilo. Deixaria ela descansar sua meia hora pós-lúdica, sussurraria qualquer coisa em seu ouvido. O dia teria sido fadigoso e, fora um ou outro petisco da geladeira, nada a mais de comida, aquilo era de nos dar uma fome de comer todos os espetos do Sr. Manoel. Ela fosse tão apaixonada por Marabá quanto eu, eu planejaria dar-lhes alianças ali na amurada do Tocantins.” (páginas 64-65) Continue Lendo “Fragmento (cap 16)”
“Suor, sangue e pobreza marcaram a história desta América Latina tão desarticulada e oprimida. Agora urge reajustá-la num monobloco intocável, capaz de fazê-la independente e feliz.” Oscar Niemeyer
A mão em concreto cru tem sete metros de altura e na palma a imagem da América Latina em esmalte sintético faz lembrar sangue escorrendo. Embora ela seja a imagem que temos do Memorial, ela é uma parte de um grande complexo arquitetônico. Sugiro uma visita virtual no site do Memorial. A visita ao memorial foi incidental, a estação de metrô da Barra Funda era apenas um entreposto para carona. Sobrava-me uma hora até a chegada do transporte. Numa dessas felizes coincidências, eu estava exatamente com a camisa do evento do grupo de pesquisa com a ‘mão’ envolvida pela imagem de um rolo de filme.
PACHECO, Abílio. Canto Peregrino à Jerusalém Celeste. Belém: LiteraCidade, 2013, 44p.
Raphael Jonatham de Oliveira Soares
Graduando em Letras – UFPa-Castanhal [exemplar à venda na Livraria da Editora]
capa: Natália Menezes
Canto Peregrino à Jerusalém Celeste é o quarto livro de poemas do escritor Abílio Pacheco, que já publicou Poemia (1998) e Mosaico Primevo (2008). Diferente dos livros anteriores, aqui Abílio foge à temática urbana e noturna, tão cara à sua poesia anterior, se apropriando de temática religiosa em seu fazer poético.
Partindo de um dos mais singulares poemas da tradição judaico-cristã, o Salmo 137, incrivelmente lírico e assustadoramente sombrio, Abílio Pacheco nos apresenta um livro de poemas que é uma busca, a busca por Jerusalém Celeste, prometida, e ao mesmo tempo a busca pela expressão poética legítima, que só pode ser alcançada pelo divino e para o divino.