abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

Fragmento (cap 16)

Posted by Abilio Pacheco em 20 de março de 2013

em despropósito

divulgação capa

Eis um trecho do capítulo 16 do meu romance “Em Despropósito (mixórdia)” que será lançado em Marabá em Abril.

“Saindo de Ipixuna para estudar, [Irma] ficaria lá em casa até quando se arrumasse. Arrumou-se comigo. Um come quieto. Para ela, eu era manso para mulher. Desses de comer quieto para me repastar, ter mais bis. Tinha certeza de eu conhecer Marabá, e se duvidasse o sul do Pará, como mãe conhece filho. Estivemos em alguns lugares repetidos principalmente ao aberto, mas também desbravamos uns cantinhos só nossos. Tivemos alguns idílios. Costumava buscá-la no Plínio, no período em que trabalhou como cargo ‘r’. Algumas vezes tomávamos um gostoso sorvete de bacuri no entorno da Praça Duque de Caxias. Outras vezes seguíamos pela orla, que já era bela, apesar das ruínas de obra e implosão malogradas. Ainda não era essa de hoje, mas nós aproveitávamos luares e luas naquelas escadas à margem do Tocantins nos meses de estio. Por vezes, namoramos feito adolescentes em praça submersa aproveitando cheia. Aquilo era coisa mágica. Tínhamos contados os degraus que davam ao rio: quarenta e três, mas à enchente, o Tocantins cobria-nos o pescoço. Uns irresponsáveis; a praça farta de pessoas, lavando roupas, louças, carros, motos… e nós de festinha. O quanto gostávamos aquilo, não tem conta. Tinha também as serestas na UFPA, no Tapiri, e voz e violão num e noutro bar, Tontura, Ideal, Choperia… Cheguei a pensar em levá-la para a Toca do Manduquinha. Marcelo estaria tocando naquele sábado e nós não perderíamos aquilo. Deixaria ela descansar sua meia hora pós-lúdica, sussurraria qualquer coisa em seu ouvido. O dia teria sido fadigoso e, fora um ou outro petisco da geladeira, nada a mais de comida, aquilo era de nos dar uma fome de comer todos os espetos do Sr. Manoel. Ela fosse tão apaixonada por Marabá quanto eu, eu planejaria dar-lhes alianças ali na amurada do Tocantins.” (páginas 64-65)

Outras páginas do romance para download e leitura

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