abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

Archive for outubro \31\UTC 2010

Operação cavalo de tróia

Posted by Abilio Pacheco em 31 de outubro de 2010

Cavalo de tróia

Disse na crônica da última quarta que esperava de Marina, senão a independência, uma possível operação cavalo de tróia para levar de volta os troianos expulsos (desfiliados etc.) para a Tróia tomada por gregos ‘invitados’ e por troianos silvérios. Mas hoje já temos o resultado da eleição e, graças a Deus, são apenas dois turnos, o terceiro poderia ser igual a descrição que Einstein fez da possível quarta guerra mundial. Longe de querer fazer um balanço das eleições, pois isso o leitor encontrará em qualquer site de notícias, programa de rádio ou noticiário televisivo, aqui vai uma reflexão, um exercício de pensar.

Nas duas crônicas, de forma mais evidente na última, como um gato mostra/esconde as garras, demonstrei não a minha preferência nas eleições, mas sobretudo minha antipatia e mais ainda minha preocupação. Nos próximos quatro anos, vamos precisar e muito de uma oposição sóbria. Sóbria e verdadeira. A julgar pelas alianças e pelo partido de nosso vice, a “chapa” derrotada é, em relação ao governo vindouro, uma oposição “seis por meia dúzia”.

Não custa repetir que serão quatro anos em que o PV como representação de uma esquerda que resta no país, e representação (ainda, mesmo com o segundo turno) de uma parcela significativa da população que, num país que respeita as diversidades, não poderá ser negligenciada. Não somente o PV (filiados e simpatizantes), mas, sendo já um dever de cidadania, a população brasileira precisará estar acompanhando projetos e seus desenvolvimentos, precisará sempre que possível dar sinais que vencer a eleição não significa receber carta branca para mandar, comandar e coligar-se aleatoriamente em nome da tal governabilidade. Talvez seja preciso lembrar que os artistas signatários ou não do manifesto, mas principalmente aqueles, precisam usar voz e prestígio também em outros momentos que não o da eleição.

Preparemo-nos para esse futuro não tão certo quanto se pensa. Lula, o funcionário público número um, deixará a presidência, o governo. A mão de mando será outra. Ele pode até ter feito a política do não-sabia, ser um falastrão cômico, uma espécie de dom quixote tupiniquim… mas o pior eram as alianças em nome de uma governabilidade desastrosa e a difícil administração de companheiros gananciosos, viciados em práticas políticas condenadas pela esquerda que um dia o PT representou e incapazes de atingir metas do governo ou de pelo menos convencer que as cumpriam. Isto sem contar os desfeitos dos aliados tradicionalmente de direita e, antes, arqui-opositores. Entretanto teve dois vices dignos, sobretudo José Alencar, e uma maleabilidade para contornar crises, seja pelo humor, seja pela ‘inocência’, seja pelo carisma.

Dilma chega ao governo parecendo mais uma marionete que uma pessoa. Mesmo sem ter certeza das acusações de que usava ponto eletrônico ou de que lia bilhetes de assessores, para mim seu discurso soava tautológico, pouco convincente e sem objetividade pragmática, de um vazio político preocupante para quem ainda pisa as utopias. Sua vantagem repousava no fato de que o outro era pior. Além, é claro, do anteparo do presidente, que lhe serviu (nesses dias em que não tivemos presidente) escora política, como ouvi de uma comentarista da GloboNews.

Na verdade, as Dilmas chegam ao governo. Sem pejoração, mas a Dilma do primeiro turno, um pouco mais estável, é bem diferente das que vimos no Segundo Turno. Do resultado de 03 de outubro até o manifesto dos artistas, era uma. Daí para frente outra. Inclusive mais agradável (exceto pelas baixarias de que ambos os candidatos e ambos os comitês têm culpa). Como vamos lidar com as oscilações de humor e como vamos conviver com as Dilmas pode ser algo preocupante, mas não existe coisa que mais cause insônia que o vice.

Já disse no segundo parágrafo como opino, por isso o leitor pode dar uma googada no nome do vice e tirar as próprias conclusões. Não se esqueça de pesquisar a história do(s) partido(s), a carga ideológica do PMDB/PSDB, mesmo não tão expressa como sempre foi a da ‘verdadeira’ esquerda. Veja também que parece muito evidente se foi a galinha ou ovo que nasceu primeiro. Queremos uma esquerda, não para ser de esquerda, mas para ter opção e para que a população brasileira tenha opção. Quanto à operação cavalo de tróia, ela ainda pode acontecer, não para levar de volta os troianos, mas para encher tróia de mais gregos. Nos próximos anos, isto é o que se há de temer.

Belém, 31 de outubro de 2010.

Abilio Pacheco, professor, escritor

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Entrevista com autores paraenses

Posted by Abilio Pacheco em 29 de outubro de 2010

Oscar D’Ambrósio da Rádio Unesp, além da entrevista que fez comigo para o Perfil Literário, entrevistou também outros três autores paraenses nas últimas semanas.
É uma satisfação para mim, ter participado de um programa que contou com a presença de tantos autores brasileiros ilustres e com a presença destes três paraenses renomados no cenário local. Fico feliz também por ter intermediado este contato.
Ouça as entrevistas de: Alfredo Garcia, Salomão Laredo e Walcyr Monteiro.
Abilio Pacheco

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Teatro MAQUINA

Posted by Abilio Pacheco em 29 de outubro de 2010

MAQUINA!
A história de uma paixão
sem limites.

Teatro Claudio Barradas de 04 a 07/11 às 19:32.

R$ 9,99 inteira e R$ 4,99 meia

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Romantismo Palestra pedro amazonas pedroso

Posted by Abilio Pacheco em 27 de outubro de 2010

Material usado na Palestra sobre Romantismo no contexto do vestibular da UFPa.
Proferida na Escola Pedro Amazonas Pedroso.

Romantismo Palestra pedro amazonas pedroso.ppt

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BENTO BRUNO NO GASÔMETRO

Posted by Abilio Pacheco em 27 de outubro de 2010

Poesia de Bruno de Menezes volta ao palco

Teatro do Gasômetro recebe, nesta quarta, apresentação especial do espetáculo “Bento Bruno”

Tambores e metáforas se unem no palco para celebrar um dos maiores nomes das letras produzidas no Pará. O teatro Gasômetro, no Parque da Residência, recebe nesta quarta, dia 27, a partir das 19h, sessão especial do espetáculo “Bento Bruno”, de Carlos Correia Santos. A entrada é franca. Montado pelo grupo cênico da Casa da Linguagem, com direção de Ástrea de Lucena e Leonel Ferreira, a peça celebra a vida e a poesia de Bruno de Menezes, apontado como um dos introdutores do Modernismo na Amazônia. A encenação é toda pontuada pelo grupo de percussionistas da Fundação Curro Velho. Na trama, a trajetória biográfica e artística de Bruno é conduzida pelos quatro elementos: o fogo, a terra, a água e o ar.

Levar para o palco traços, aspectos e preciosidades sobre a vida e a obra de grandes nomes da nossa cultura significa contribuir para que a arte das cenas cumpra seu principal papel: o de fazer ver. Na origem do termo, teatro (teatrium) quer dizer “lugar de ver”. Assim, a Memória aplaude quando as cortinas se abrem para espetáculos que fazem platéias verem melhor a herança criativa de grandes artistas. Nos últimos anos, tem ganhado força em todo o mundo um nicho narrativo chamado Dramaturgia Histórico-Investigativa. Um gênero que se dedica a reinterpretar importantes biografias através do cinema, da televisão e do teatro. Exemplos notórios disso são trabalhos como o premiado filme “Piaf”, inspirado na trajetória da cantora francesa Edith Piaf, a minissérie global “JK”, sobre o Presidente Juscelino Kubistchek, e diversos espetáculos teatrais, como “Chanel”, montagem baseada na trajetória da célebre estilista Coco Chanel e protagonizada por Marília Pêra.

Investigação histórica – Desde 2003, o dramaturgo paraense Carlos Correia Santos tem apostado na Dramaturgia Histórico-Investigativa como ferramenta destinada a dar maior conhecimento e reconhecimento para nomes fundamentais do patrimônio cultural nortista. Dentro deste segmento, o autor criou premiados espetáculos, como “Nu Nery” (inspirado na vida e obra do poeta e pintor Ismael Nery), “Julio Irá Voar” (obra dedicada ao legado do inventor Julio Cezar Ribeiro de Souza) e “Theodoro” (montagem baseada na biografia do pintor Theodoro Braga), dentre outros.

O novo capítulo desta jornada se chama “Bento Bruno”. Especialmente escrito para o grupo cênico da Casa da Linguagem, o espetáculo mergulha no fantástico legado do poeta Bruno de Menezes. Apontado como um dos primeiros autores brasileiros a apostar na criação de uma poesia de raiz efetiva negra, tido como um dos introdutores do Modernismo na Amazônia, pioneiro na defesa de causas sociais e ideológicas como a doutrina do cooperativismo, Bruno parece ter nascido bento. Um artista ungido para quebrar barreiras e unir classes sociais.

De origem humilde, quase um autodidata, o escritor fundou grupos artísticos populares como a Academia dos Novos e a Academia do Peixe Frito (que se reunia em plena feira do Ver o Peso), mas também chegou ao posto de Presidente da Academia Paraense de Letras e foi consagrado como um dos maiores folcloristas do país. Em “Bento Bruno”, o que se vê em cena é uma tentativa poética de passear por todas as referências que alimentaram esse importante pensador. Sob as luzes do palco, uma grande celebração para tentar descobrir: o que benze um poeta? As águas da pureza de sua infância? O fogo da ousadia que surge em toda juventude? Os ares da modernidade que sopram no rumo do futuro? Ou as raízes que vêm de sua terra natal? Esperemos tocar a terceira campa para descobrir.

Serviço: BENTO BRUNO, de Carlos Correia Santos. Com Grupo Cênico do Curro Velho. Direção Astreia Lucena e Leonel Ferreira. Nesta quarta, às 19h, no Teatro do Gasômetro, no Parque da Residência. Entrada franca.

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