abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

Archive for novembro \23\UTC 2010

Hoje não escrevo

Posted by Abilio Pacheco em 23 de novembro de 2010

Hoje não escrevo

Eu sabia que mais cedo ou mais tarde, ou como dizem mais tarde menos tarde, ia acontecer de eu ficar sem assunto para a crônica da semana e daí fosse aborrecer o leitor citando ninguém menos que Drummond. Mas eu já disse que tenho crônicas guardadas para quando acontecesse algo assim. Quando acontecesse de assunto algum da semana motivar-me a escrever.

Ora muitos assuntos ainda me dão vontade de escrever. Assuntos hodiernos diga-se. Poderia falar a operação cavalo de tróia em andamento no governo, dos desandos do ENEM, poderia até compará-lo com o ENADE, falar da crônica que pela primeira vez fez pararem-me na rua para comentar algo sobre ela (ainda a crônica do dia dos professores). Poderia postar uma crônica sobre cidades, meu tema de obsessão, mas que pouco apareceu nas crônicas até o momento.

Aliás, as crônicas publicadas são de contar nos dedos. Nos dedos de uma só mão, creio eu. Devo ter mais crônicas guardadas, certamente mais crônicas iniciadas que postas a lume. Preferi deixá-las todas (meia dúzia de crônicas prontas e mais de uma dúzia começadas) para um outro momento.

Disse que hoje não escrevo. Mas vou escrevendo e logo este texto estará no blog/site. Desta vez não vou mandar mala direta para meus leitores assinantes (exceto aqueles que receberão a mensagem automática do wp). Vou caladinho e quietinho fazer a postagem e esperar para ver. Mas o motivo para não escrever hoje é mesmo outro. Qualquer dia vai uma crônica sobre isto que é um tema bem pessoal, mas também bem da ora: em Marabá perdi um ex-aluno e colega de magistério possivelmente por conta da homofobia.

Mais de uma vez abri este note para escrever o texto de quarta a respeito. Mais de uma vez refuguei. A palavra aqui não vale nada, uma vida não vale nada nestas plagas onde Saramago pediu que jamais Deus tivesse a ideia sublime de por os pés. Diante da realidade atroz, a sensação de impotência, impotência diante do intolerante, da incapacidade do sujeito aceitar o outro como ele é. Não apenas de aceitá-lo diferente de si, posto que todos somos diferentes dos demais, mas a incapacidade de aceitar o outro naquilo que o sujeito não aceita que o outro seja. Calo-me!

… vai essa crônica encerrar abruptamente. Sabia que ora ou outra faria uma crônica dizendo que não iria escrever, mas não pensei que o motivo pudesse ser este.

Belém, 23 de novembro de 2010.
Abilio Pacheco, professor, escritor
ps: ao Mário, professor de língua portuguesa,
Marabá, PA.

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Lançamento de livro

Posted by Abilio Pacheco em 17 de novembro de 2010

A Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves tem a honra de convidar V. Sa. para o lançamento do livro Meus Versos na Areia, de Dolorita Costa, que ocorrerá nesta sexta-feira (19), às 19h, no Hall Benedicto Monteiro, andar térreo do Centur. Enviado por Gerência de Promoção Editorial – GPED – Fone: 32024375

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Analfabetismo político

Posted by Abilio Pacheco em 17 de novembro de 2010

Analfabetismo político

Que eu tenha minhas reservas à candidatura de Tiririca e de sua eleição, eu tenho. Mas existe o direito do cidadão Francisco Everardo e de seus mais de 1 milhão e 300 mil eleitores. Direito inclusive de não serem ofendidos. Se existe analfabetismo político no caso em pauta, é um analfabetismo diplomado e com calos de estar em bancos de escolas e universidades. Depois do que circulou na net sobre os nordestinos após a eleição de Dilma, a discreta (quase implícita) afirmação de que os eleitores do deputado mais votado do Brasil são politicamente analfabetos é algo que merece nota.

Renato Machado devia estar de folga e lá estava Edney Silvestre que eu admiro da Globo News, do Espaço Aberto – Literatura. A piadinha saiu sem graça. Eu atencipadamente dou-lhe um desconto, mas o fato é sintomático. Não temos no Brasil jornalismo de ancoragem como nos Estados Unidos, mas não sou jornalista e vou ao que acho mais grave: o fato revela o quanto, nestas terras tupiniquins, se avaliam as pessoas por suas escolhas, como nestas plagas de santa cruz se faz um espécie de depreciação por aproximação.

Está mais do que evidente que o mínimo solicitado de uma pessoa para exercer um cargo público elegível por voto universal é ser alfabetizado a ponto de saber ler e escrever no nível mais simples de leitura e no mais simples ato de bolear na ponta da caneta ou lápis e puxar uma perninha para fazer um “a”. Coisa que o cidadão Francisco Everardo já aprendeu nestes poucos dias que teve entre a marcação do exame e sua realização. Está claro que sendo reprovado iria recorrer e teria tempo de aprender. Ora pois, deixe-o tomar assento e descansar-nos do Tiririca.

Também está claro que a responsabilidade por tamanho disparate político não é do eleito nem do eleitor. Um teve o direito de se candidatar, por que não teriam os outros o direito de elegê-lo? Se existe lei que permite alguém que não tem a mínima noção do que faz um deputado se candidatar ao cargo, dá cá a mão que maria vitória está com olhos feito o diabo. Mas ninguém dá a mão. Antes, tomam-nos da palmatória. Até porque usando de seu humor peculiar o Tiririca fazendo campanha para o Everardo, assumiu por este o que milhares de candidatos a deputado não assumem. Talvez por faltar quem o fizesse por si.

Agora dizer que o analfabetismo político ainda grassa no país só por terem em peso votado no Tiririca… Quer dizer que quem votou em médico, advogado, engenheiro, professor… é inteligente só por causa disso? Afinal será que um médico, um advogado, um engenheiro ou um professor, somente por o serem sabem o que faz um deputado. O problema do analfabetismo político no Brasil não escolhe profissão, classe social, nível de escolaridade… é caso crônico. Não o fosse, não teríamos passado o período de campanha como passamos, em que a discussão política foi nula.

Talvez falte no Brasil, pelo menos para quem se pretende candidato a um cargo eletivo, um curso de formação política. Que ensine de fato quais são atribuições e responsabilidades de cada cargo, que ensine como redigir uma lei, o que é o tal do decoro, o que é uma CPI, o que faz cada membro dela, como fazer a redação de um projeto, o que é parágrafo, inciso, alínea etc. Para qualquer outro cargo hierarquicamente menos importante e de menor status social, qualquer cidadão não é obrigado a se submeter a um exame? Pois lá vai a minha utopia: todos deveriam prestar exame para avaliar se realmente dominam tais conhecimentos.

Por enquanto, e até que alguém por lá abrace uma ideia destas e até que ela venha ser colocada em prática, num país tão carente de reforma política, vamos ficando de Tiririca. Lógico que tenho minhas reservas à eleição e à posse do Everardo, mas tenho amor às leis (a algumas): a democracia não se sustenta sem um estado de direito. Deixe que o homem assuma, consertem minimamente as coisas para daqui a dois anos, quando os disparates nas eleições para vereador são priores. Ou não consertem (caetaneando…), talvez o Tiririca e outros semelhantes façam mais e melhor pelo país e pelo povo (de classe média baixa para baixo) que Sociólogos, Politicólogos, Estudólogos, Analbetólogos Diplomatólogos…

Belém, 17 de novembro de 2010.
Abilio Pacheco, professor, escritor

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mostradaagenda

Posted by Abilio Pacheco em 16 de novembro de 2010

Mostra das páginas internas da Agenda Literária 2011, em formato 14×11.
A capa é colorida, mas as páginas internas são em P&B.
Valor unitário R$ 12,00.
Em ambos, frete incluso.

Veja mostra das páginas internas aqui.

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Ainda o ENEM

Posted by Abilio Pacheco em 14 de novembro de 2010

Ainda o ENEM

Não. Não é uma crônica. É só uma anotação.
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A crônica de quarta, dia 10, “lets save enem” causou furor. Evitei começar a escrever crônicas, pois é um gênero sem máscara narrativa. Nela, é o autor mesmo quem fala. Não que eu evite a discussão, mas também não corro para ela.

Pois bem, pouco mais de meia dúzia de comentários postados no meu site/blog tiveram que ser deletados. Alguns não me entenderam, mas a culpa é minha. Entretanto, seja lá como me entenderam, tolerância! Nunca imaginei que uma possível opção sobre o exame fosse causar palavrões, ofensas e respostas tão passionais como não vira nem quando escrevi os três textos diretamente sobre política (marina, naturalmentemarina, independentecavalo de tróia).

Alguns desses comentários, diziam que eu não tomava partido algum e que queriam mesmo saber afinal qual era a minha opinião. O que eu faria no lugar do Haddad? Primeiro, estou bem no meu posto de soldado. Segundo, se Paulo Renato ex-ministro da educação disse no Entre Aspas, da Globo News, que não tinha uma sugestão, terei eu? Terceiro, sugerindo ou não, a crônica para mim ainda é um prazer que vale mais pelo texto que pelas ideias. Mesmo assim, vamos às ideias e vamos tentar dar uma resposta.

Citei Paulo Renato também para isto: ele disse que um dos problemas do atual ENEM é que não se deve confundir um instrumento de avaliação de nível de ensino com instrumento de acesso ao nível seguinte. Ora, não usamos estas palavras, mas foi por isso que não montamos (eu e alguns outros da minha boa turma de Letras 97) grupo de estudo para o Provão, hoje ENADE. Fazer grupo de estudo é mascarar o aprendizado na graduação. Fazer preparatório para ENEM, idem. Ao transformar o ENEM em instrumento de acesso, passaram a pulular preparatórios até em cursinhos populares. Não o nego: eu mesmo ministrei aulas de preparação para o ENEM nos meus tempos de Rego Barros (ETRB).

Para que o deste ano seja salvo (porque não se pode perder de vista o quanto há de prejuízo financeiro para o governo, os cofres públicos, nossos impostos), a saída é fazê-lo voltar às origens e deixar as próprias faculdades fazerem seus exames seletivos. Quanto ao prejuízo financeiro dos alunos, aí é bom começar a pensar no ENEM como produto ou serviço e puxar o código de defesa do consumidor e fazer como fazem as companhias áreas quando não têm mais acentos, bancar o bilhete em outra companhia, ou seja, custear o inevitável pagamento de outra taxa em outro processo seletivo.
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Acho que terminou sendo uma crônica. Não era a intenção. Sugiro que voltem à crônica de quarta, 10, e leiam os comentários lá postados. Como já disse, os ofensivos eu não aprovei.

Belém, 14 de novembro de 2010.
Abilio Pacheco, professor, escritor

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