Terra transformada

((( que nem formigas transformando a terra )))
abilio pacheco
.
agora precisamos refazer o trabalho
como fazem as formigas
.
não totalmente, pois elas são fortes
carregam dez vezes o próprio peso
.
nós, entretanto, carregaremos apenas
e, no máximo, o peso de nossas unhas
.
não faremos o trabalho de formigas
como se de outros formigueiros nos vissem
.
talvez nem mesmo para que no próprio
formigueiro nós sejamos percebidos
.
(formigas que muito trabalham
não notam o trabalho das outras)
.
faremos o trabalho de formiguinhas
latente, miúdo, aos olhares humanos
.
de susto, muitas e muitas formigas
em muitos e muitos formigueiros
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apesar de tudo… em algum amanhã
havemos de ter outro dia…
.
terra transformada

#poema

VII Feira Virtual dos Povos do Campo – Marabá

Divulgando…Compre alimentos saudáveis diretamente dos produtores rurais da região.
Você pode depositar o valor e receber em mãos no sistema de entrega Drive Thru.
A entrega será realizada na Unidade I da Unifesspa (Folha 31, Quadra 07, Lote Especial – Nova Marabá) no dia 24/03/2021 de 17 às 20h.
As CESTAS NÃO RETIRADAS até as 20h serão doadas para entidades beneficentes e/ou famílias reconhecidamente carentes.

VII FEIRA VIRTUAL DOS POVOS DO CAMPO

Acesse aqui o formulário de pedidos.

Abaixo segue o calendário para pedidos, pagamentos, entrega dos produtos:
– PEDIDOS E PAGAMENTOS: de 12 a 18/03/21.
– ENTREGA DAS CESTAS: 24/03/2021.

DADOS PARA PAGAMENTO:
Banco: Banco do Brasil
Agência: 565-7
Conta corrente: 110418-7
Titular: Iracy Souza Almeida (Agricultora do PDS Porto Seguro)
Se houver campo para descrição no ato da transferência bancária informar – Feira dos povos do campo da Unifesspa
No caso de outros bancos favor solicitar número do CPF no e-mail feira.unifesspa

INFORMAÇÕES GERAIS: ver no link..

Lembranças – Letra (poema) hiphop

Ontem, estava na casa de minha mãe e ouvi no rádio este hiphop. Não conhecia. A letra toda ficou martelando na minha cabeça, mas "quem olha pro meu troféu, mas num vê minha cicatriz" não é algo que se ouve ou lê todo dia.
Quem estuda literatura e poesia, quem gosta de literatura e de poesia, não pode torcer a cara para um trabalho desses. Eu fiquei admirado.

Lembranças – Hungria Hip Hop

Lembrei daquela sexta-feira, pé descalço e poeira
Menino que se achava dono da quebrada inteira
Dibicando pipa saudade, dessa idade
Nunca tive nada, mas tinha minha vaidade
Entre o sonho da bicicleta
Quem sabe a mobilete?
Carrinho de rolimã não atiçava as periguete
E que se foda o personagem que quer me ver infeliz
Que olha pro meu troféu, mas num vê minha cicatriz
Os vizinhos xaropando com o som desses cara-preta
(Não abaixa não, não abaixa não, não abaixa não)
Me deixa longe dessas treta
Não vou perder meu tempo com indireta na minha letra
(Ow, traz outra cerveja pra mim aí!)
Me deixa longe dessas tretas
Essas dona sensual mexe com minha mente
Me deixa muito louco sem usar entorpecente
Mas eu sou paciente, porém meio delinquente
Os olhos observam, mas o coração que sente
Começo pode ser final, final pode ser começo
A escolha de um sonho claro que vai ter um preço
Hoje é rolê de aro 20, champanhe nessa suíte
Tá vendo o lado bom, mas não me viu no maderite
Então quer me taxar de boy, não sabe o meu passado
Quem disse que o favela não pode morar no lago?
E dar um frevo tipo aqueles que rola lá em Dubai
E acordar no outro dia com a ressaca do carai
Lembrei daquela sexta-feira (Foi mal!)
Pé descalço e poeira
Menino que se achava dono da quebrada inteira
Dibicando pipa, saudade dessa idade
Nunca tive nada, mas tinha minha vaidade
Entre o sonho da bicicleta
Quem sabe a mobilete?
Carrinho de rolimã não atiçava as periguete
E que se foda o personagem que quer me ver infeliz
Que olha pro meu troféu, mas não vê minha cicatriz
Os vizinhos xaropando com o som desses cara-preta
(Não abaixa não, não abaixa não, não abaixa não)
Me deixa longe dessas treta
Não vou perder meu tempo com indireta na minha letra
(Ow, traz outra cerveja pra mim aí)
Me deixa longe dessas tretas
Essas dona sensual mexe com minha mente
Me deixa muito louco sem usar entorpecente
Mas eu sou paciente, porém meio delinquente
Os olhos observam, mas o coração que sente
Eu quero a quebrada sorrindo e a tristeza na lona
Os pivete jogando nos time de Barcelona
E se hoje tá de Nike, já teve com os pés no chão
Pra provar que o corpo pobre, a mente rica faz milhão
Quantas vezes meu choro já regou meu sonho?
O pensamento alto igual nuvem no céu
Talvez seja por isso que hoje componho
Meu sentimento num pedaço de papel
Lembrei daquela sexta-feira, pé descalço e poeira
Menino que se achava dono da quebrada inteira
Dibicando pipa, saudade dessa idade
Nunca tive nada, mas tinha minha vaidade
Entre o sonho da bicicleta
Quem sabe a mobilete?
Carrinho de rolimã não atiçava as periguete
E que se foda o personagem que quer me ver infeliz
Que olha pro meu troféu, mas não vê minha cicatriz
Os vizinhos xaropando com o som desses cara-preta
(Não abaixa não, não abaixa não, não abaixa não)
Me deixa longe dessas treta
Não vou perder meu tempo com indireta na minha letra
(Ow, traz outra cerveja pra mim aí)
Me deixa longe dessas tretas
Essas dona sensual mexe com minha mente
Me deixa muito louco sem usar entorpecente
Mas eu sou paciente, porém meio delinquente
Os olhos observam, mas o coração que sente

https://www.youtube.com/watch?v=EiQmbrvvDaY

Homenagem João Brasil

É com tristeza que registro aqui o falecimento do poeta, escritor, marabaense…

JOÃO BRASIL
Bertin Di Carmelita

Nascido em Altamira
Desatou o nó da embira
E partiu de lá pra cá.
Sempre, sempre a acompanhar
As PEGADAS DE UM PARAENSE
Ou o rastro incandescente
Do ouro de um GARIMPEIRO.

Depois seguiu o roteiro
Dos diamantes, nos pedrais
Chegou a ser O CASTANHEIRO
Dentro das matas abissais
Onde reinava a maleita
O saldo de mais uma colheita
À sobra dos castanhais.

Daqui não saiu mais
Pois MAIR-ABÁ
Tem o CORAÇÃO DE MÃE
A nenhum filho se opõe
Nem também carrega mágoas
De quem lhe tira das entranhas o brilho
É para ela mais um filho
Mesmo sendo MARABÁ O CAMINHO DAS ÁGUAS.

Que saudade daquela VIAGEM
AO TOCANTINS, ARAGUAIA E ITACAIÚNAS
Onde poucos, fizeram fortunas
Onde muitos, se perderam para sempre
Quantos naufrágios e afundamentos
Quantos amigos que partiram
Quanto é grande, os seus sentimentos.

Mas, tinha também divertimentos
Em cada porto, cada parada.
Depois de umas bicadas
Pra aliviar os nervos, a tensão
Esqueciam um pouco da lida
Cuidavam das coisas da vida
Das coisas do coração.

No outro dia cedinho
Tendo o rio como caminho
Todo um sempre a enfrentar
Cachoeiras e correntezas
Perigos da natureza
E uma carga pra entregar.
Ele era os olhos do seu patrão
Talvez a própria embarcação
Tão grande era a sua honestidade.

Residindo na cidade
Tornou-se VEREADOR
PREFEITO, LITERATO
EXCELENTE HISTORIADOR
Com a força de sua mente
Descreveu MESTRE BARATA
Historiou ITUPIRANGA E SUA GENTE.

No futebol esteve presente
Acompanhando, ano após ano
O time do coração
Ontem no CAPOTÃO
Hoje no POLIURETANO.

Saudades da ITABOCAS
CAPITARIQUARA, SANTA ISABEL
FURO DAS MOÇAS, DAS VELHAS…
Sob os cuidados do céu
Vencia as correntezas bravias
Ou simplesmente escrevia
Mais um livro de sua lavra.
E JOÃO BRASIL fez a pergunta
A MORTE, É OU NÃO A ÚLTIMA PALAVRA?

Bertin Di Carmelita
Marabá-Pará, 20/12/2018

Crédito da imagem: Jorge Whashigton (facebook)

Há quase dez anos eu fiz uma entrevista com ele durante a XI Feira do Livro de Marabá.
https://www.youtube.com/watch?v=hpO5UaLHHAY