Oficina LP e Literatura II

Oficina de Ensino Aprendizagem de Língua Portuguesa e Literatura II – em construção

Ementa

Cronograma:

10/10 – Revista S – Memórias de Leitura, por Ricardo Azevedo (páginas de 6 a 9)
Escritor (por quê?) – Abilio Pacheco.
Entrevista para Oscar D’Ambrosio você pode ouvir aqui.
Link para a coleção Taba Cultural a que me refiro no texto. Veja também na wikipedia.
Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector. (vídeo um), (vídeo dois)

11/10 – A importância do ato de ler – Paulo Freire
A polissemia da noção de leitura – Orlandi
Desafios ao ensino de leitura frente às ordens que regulam sua produção na atualidade, Luzmara Curcino
Retratos da leitura no Brasil – O link para o pdf está no final desta página que também de ser lida.

Materiais para os dias 16 e seguintes:

texto 1 – O que é Leitura – Maria Helena Martins

texto 2 – Processos de Decodificação

texto 3a – Angela Kleiman – Cap 2

texto 3b – Angela Kleiman – Cap 3 Estratégias – 1a parte

texto 3c – Angela Kleiman – Cap 3 Estratégias – 2a parte

texto 4 – Roland Barthes O prazer do texto até p29

texto 5 – Da heterogeneidade do discurso

texto 6 – Leffa – Perspectivas no estudo da leitura

 

Intermezzo

Material da Olimpíadas de Língua Portuguesa

SITE – Cadernos do Professor: Poema, Memórias Literárias, Crônica, Documentario e Artigo de Opinião.

04/12 – Culminância

05/12 – Culminância

06/12 – Culminância

07/12 – Culminância

Seminário 2018

Links para os textos-base dos seminários da disciplina Teoria Literária a serem apresentados em Capanema: 12, 13 e 14 de Novembro.

1 – Crítica Sociológica
[critica literaria] Critica sociologica.pdf
Exemplo de aplicação no romance As Meninas, de Lygia Fagundes Telles – Aqui.
Fazer aplicação usando o conto “O Condominio”, de Luís Fernando Veríssimo.

2 – Estética da Recepção e Teoria do Efeito Estético
Apenas o capítulo 1. – Leia também: Ensino de literatura e estética da recepção. Veja também neste link]
Exemplo de Aplicação com o conto “A missa do Galo”, de Machado de Assis. clique aqui.
Fazer aplicação usando o conto “O Relógio de Ouro”, de Machado de Assis.

3 – Autoria Feminina e Crítica Feminista
[critica literaria] Autoria Feminina.pdf (*) e [critica literaria] Critica Feminista (*).
Exemplo de Aplicação com um conto de Clarice Lispector. clique aqui ou esta outra opção.
Fazer aplicação usando o conto “A moça tecelã”, Marina Colasanti.

4 – Novo Historicismo
Novo Historicismo (*)
e também este texto de Gustavo Vargas Cohen.
Exemplo de Leitura na ótica do novo historicismo.
Fazer aplicação usando o conto Negrinha, de Monteiro Lobato.

5 – Estudos Culturais e Minorias étnicas e sexuais
[critica literaria] estudos culturais (*) e
[critica literaria] Minorias etnicas e sexuais (*)
Exemplo de aplicação: Mia Couto e a reescrita da historia.
Fazer aplicação usando o conto A Estória do ovo e da galinha, de Pepetela (pág 108-124)

6 – Literatura e Psicanálise
[critica literaria] literatura e psicanalise.pdf (*)
Exemplo de aplicação no conto O Espelho de Guimarães Rosa, clique aqui.
Fazer aplicação usando este conto de Marina Colasanti; ou um desses quatro da mesma autora.
Utilizem apenas o viés freudiano da psicanálise. Dependendo do texto que forem analisar, leiam também este texto.

7 – Literatura Comparada
Texto de Antonio Candido e Texto de Tânia Franco Carvalhal.
Exemplo de Aplicação com um conto de Clarice Lispector. Clique aqui ou esta outra aplicação aqui.
Fazer aplicação usando os textos “Os Músicos de Bremen” e “Os Saltimbancos”, de Chico Buarque (as letras também fazem parte do texto, vocês podem encotrá-las no site oficial do autor: www.chicobuarque.com.br)

(*) A referência do livro de onde foram tirados os capítulos cujos links estão indicados nesta página é BONNICI, Thomas, ZOLIN, Lúcia Osana. (org.). Teoria Literária: Abordagens Históricas e Tendências Contemporâneas. Maringá: Editora da Universidade Estadual de Maringá, 2003.

Abilio Pacheco

Dia dos professores – 2018

Boa noite,

Não está nada fácil dizer simplesmente “Feliz dia dos professores”.
Lembrar a importância de nossa profissão. Dizer das lutas, embates, vitórias, desafios…
Repetir – quem sabe – alguns chavões e clichês… que temos uma missão, um dom (coisas muitíssimo questionáveis). Falar do nosso papel transformador, da diferença que fazemos (para o bem ou para o mal) na vida de nossos alunos e alunas.
Num momento político, complicado e conturbado, confuso e convulso… num momento em que qualquer palavra parece ser ideologicamente ou politicamente direcionada. Num momento em que sabemos que – qualquer que seja o resultado – nós teremos muito trabalho pela frente, dentro e fora de sala de aula, dentro e fora de escolas e faculdades, nas ruas, nas praças, por onde quer que a gente passe…

Eu recebi uma quantidade muito grande de mensagens… (cada ano aumenta mais). Textos puros, mensagens autorais, gifts, poemas, poemas de cordel… videos (videos eu não vi nenhum… Se eu for contar a minutagem total eu acho que levaria duas horas ou mais).
Observando todo o todo material que recebi, eu percebo que há um desejo muito grande de dizer qualquer coisa que as palavras não estão dando conta.
Sinto como se a pessoa tivesse um vontade de ser recíproca a uma generosidade quase incompreensível, como se quisesse compensar-nos por algo que ela sabe que não obtemos mas que ela também não dá conta de nos compensar, como se estivesse mergulhada numa enorme percepção de injustiça mas ao mesmo tempo numa impotência muito grande por não poder interferir.

Talvez tudo se resuma em Gratidão.
Esse sem-palavras que encontra guarida na postagem ou no texto, gift, poema, video que é postado nas redes, ou enviado diretamente em pv ou inbox. Eu imagino que fique ainda uma sensação de “não foi exatamente o que eu queria dizer”. Ou… uma sensação de que não foi o suficiente.

Esse sentimento… de ano a ano mais débil para uns e mais violento para outros… é um dos melhores presentes.
Precisamos – e isso é muito importante – que ele se transforme também em luta, ativismo, participação, manifestação cotidiana e que esteja sempre presente.

Quem sabe a gente possa ter mais felizes dias dos professores e não apenas 15 de outubro.

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Abilio Pacheco – professor de literatura, UFPA, Campus Universitário de Bragança

PS: Quando falo de ativismo cotidiano eu tenho em mente, por exemplo, o que vi na Alemanha, em 2015. Os pais da escola onde meu filho estudava fizeram (aliás, fizemos; eu também participei) manifestações pedindo aumento salarial para os professores. Eu relato isto num texto que publiquei em: https://abiliopacheco.com.br/2016/10/14/um-pequeno-alento-para-este-coracao-docente/

Palimpsesto sem fim

Meu romance Em Despropósito (mixórdia) completou 5 anos, mil exemplares esgotados, alguns comentários recebidos pela internet (e que publiquei neste site), uma citação numa dissertação de mestrado na UFRGS (Dissertação de Fidelainy Sousa) e uma resenha publicada em revista acadêmica (escrita pelo professor Gutemberg Armando Diniz Guerra). É também parte de uma pesquisa sobre a literatura amazônica ou literatura da Amazônia Paraense (pesquisa realizada pela professora Tania Sarmento-Pantoja). Há também uns dois ou três artigos que escrevi e faço referências a ele, mas isto não conta.
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Ano que vem pretendo fazer uma segunda edição revista. Retirar algumas gralhas e fazer algumas pequenas modificações em alguns trechos, mas o enredo será exatamente igual, muito embora partes desta história fictícia tenha saltado como verdadeira na minha frente. Muitos trechos que não eram biográficos, pois se relacionavam apenas a vida do protagonista narrador, eu descobri que falavam na verdade sobre mim.
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Isto me fez repensar inclusive algumas questões de pesquisa. Ricoeur afirma que o passado não pode ser modificado. Mas afinal o que é o passado senão uma narrativa? Já que o passado em si não é outra coisa a não ser uma abstração?
Eu entendo o passado como a narrativa de fazemos dele, e como narrativa é possível ser modificado. Um fato revelado ou descoberto do passado lança outros esclarecimentos sobre o passado. As escavações arqueológicas, as pesquisas em arquivos, descobertas de documentos não revelados, novas formas de ler a História são exemplos de como o passado histórico tem sido reescrito.
Não duvido que algo semelhante possa ocorrer na vida pessoal. As narrativas literárias desde Édipo Rei, ou antes, exploram isso.
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O passado se modifica, sua narrativa muda sempre que novos dados, fatos ou informações aparecem. Se novamente descobrimos outro algo, reescrevemos a narrativa. Novas descobertas, novas narrativas. Num palimpsesto sem fim.
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um estudo de etimologia

um estudo de etimologia
abilio pacheco
 
bando sm. ajuntamento de pessoas.
 
abandono sm.
1. ato ou efeito de largar, de sair sem a intenção de voltar; afastamento.
2. falta de amparo ou de assistência; desarrimo.
 
abandonado
sm. indivíduo desassistido, desamparado, posto de lado.
mas também:
adjetivo
1. deixado ao abandono; desamparado.
2. que não recebe trato algum; negligenciado.
3. que se encontra desocupado, vazio.
 
abandonador (isto é algo novo para mim)
adjetivo substantivo masculino
quem ou o que abandona, desiste ou despreza.
 
o verbo parece bem mais interessante:
 
abandonar verbo
1. transitivo direto – deixar, afastar-se de (um lugar) para sempre ou por um longo período.
2. transitivo direto – deixar à própria sorte; desamparar.
3. transitivo direto – largar, deixar ficar (em determinado lugar).
a palavra “bando” também deu origem a
– ‘banda’,
– ‘bandido’ de forma pejorativa;
– ‘bandeira’,
– ‘bandagem’.
 
Com certeza, ‘band-aid’ é algo bem conhecido.
 
Em Portugal, chama-se HQ de ‘banda desenhada’
 
A etimologia latina tardia explica um pouco:
bandum < got. *bandwa ‘senha, sinal que identifica um grupo, bandeira’ p.ext. ‘conjunto, facção’
 
Em outros idiomas, vindos do latim existem palavras derivadas dessa raiz. Todas com o mesmo sentido de ligar, unir, atar, formar qualquer coisa ou grupo com alguma característica ou qualquer algo em comum.
(Eu ficaria linhas e mais linhas citando exemplos.)
Da mesma forma, em vários desses idiomas existem palavras derivadas para significar ‘abandodo’: tirar do bando, separar do bando, apartar do bando… Em alemão, é verlassen; algo como deixar largado, jogado.
O sentido pejorativo para agrupamento também existe em alemão e em inglês, “bandit”. Ao ouvir isso em qualquer idioma parece que a carga emocional do termo vem quase que imediatamente, como a arma num assalto chega junto com o medo.
 
Entretanto, quando leio ‘abandono’, ‘abandonar’, ‘abandonado’… acho o sentido tão chocho, tão inócuo, tão isento de carga emocional quanto uma explicação técnica.
 
Àquele que é retirado do ‘bando’, o que resta?
O ermo da estrada? O exílio do mundo? O charco?
Tinha uma palavra até bonitinha que ouvi numa canção de MBP, mas a memória não me traz agora.
 
As palavras, elas bem dizem muito sobre o mundo, as pessoas e as coisas. As ações. Então, eu escrevo, mas também ‘re’escrevo; eu posso ser feliz, ou ‘in’feliz, ou ‘des’infeliz (como dizia Mário de Andrade). A gente até inventa quando o termo não existe: por isso, ‘imorrível’, ‘impodível’…
 
As línguas, os idiomas são flexíveis. Tão flexíveis quanto a própria verdade das coisas. Mas ambas tem seus limites.
 
Nenhum idioma tem algo como o que seria em Português:
 
– des-bandono ou de-abandono, in-abandono, re-bandono,
– des-bandonar ou de-abandonar, in-abandonar, re-bandonar,
– des-bandonado ou de-abandonado, in-abandonado, re-bandonado.
Se a língua não suporta a invenção da palavra, é porque o que há de sentido nela não pode existir.