Como ciganos à noite

Sabe quando a gente escuta uma música cuja letra é um verdadeiro poema. Sem raízes (No Roots), de Alice Merton, é um desses “poemas que gostaria de ter escrito”.

Peguei a letra no Vagalume e fiz umas mudanças, mas a autoria ainda é dela; por favor.

Sem Raiz
Alice Merton

Eu gosto de cavar buracos
e esconder coisas dentro deles
Quando eu envelhecer, eu espero
Não esquecer de encontrá-los
Pois tenho lembranças
e viajo como os ciganos à noite

Eu construí uma casa
e aguardo alguém que a derrube
E então, empacoto em caixas
Direto para a próxima cidade
Pois tenho lembranças
e viajo como os ciganos à noite

Milhares de vezes
Eu já vi esta estrada
Eu não tenho raízes
meu lar nunca foi no chão

Eu gosto de ficar parada
Mas isso é só um plano
Pergunte-me de onde eu venho
Toda vez responderei uma terra diferente
Mas eu tenho lembranças
e viajo como os ciganos à noite

Eu não posso dizer frases no ouvido
jogando "telefone sem fio"
Apenas os lugares mudam
o resto continua o mesmo
Mas eu tenho lembranças
e viajo como os ciganos à noite

Eu não tenho raízes
Minha casa nunca foi no chão
Eu gosto de cavar buracos
esconder coisas dentro deles
Quando eu envelhecer
Não esquecerei de encontrá-los

Talvez você estranhe a apresentação do texto e a troca que eu fiz do jogo “advinha o nome” por “telefone sem fio”.

De todo modo, vamos lá ouvir a canção também, né?

Poema Habitat

O perfil de instagram @cuiraliteraria , de @izabelacristian , publicou este meu poema.
Faz tanto tempo que eu não releia que até estranhei o poema. A análise de hoje é bem outra depois de quase 15 anos.

Este poema foi publicado no meu livro mosaico primevo publicado em 2008.