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Câmbio de ciclo

Fim de ano e lá vou eu cambiando um ciclo

– em 1994, entrei no prédio da UFPa, campus de Marabá, pela primeira vez. Fui com meu macacão azul do SENAI junto com outros colegas.

– em 1995, ganhei medalhas de um concurso de poemas promovido pela UFPA-Marabá.

– em 1996, recebia memorando da coordenadora do campus, Professora Nilsa Brito Ribeiro, para um debate sobre produção cultural.

– em 1997, levei porrada no vestibular da UFPA e zerei a disciplina que mais amo. Ainda em 97, ingressei no curso de Licenciatura em Letras;

– em 1999, fui monitor de teoria literária, na supervisão do prof Gilson Penalva; – em 2001, ingressei no programa de Iniciação Científica, ingressando no projeto do IFNOPAP, com coordenação da professora Tania Sarmento-Pantoja;

– durante a graduação também ganhei umas medalhinhas no jogos olímpicos, na modalidade xadrez (2x primeiro e 2x segundo);

– em 2002, me formei (colei grau vestido de verde) e passei no seletivo para professor Substituto;

– ainda em 2002, iniciei a Especialização na UFPA; – em 2003, ingressei no mestrado na UFPA, Campus de Bragança, com a orientação do Professor Sílvio Holanda;

– na UFPA, também iniciei e não conclui três cursos de graduação e uma especialização;

– em 2007, ingressei no grupo de pesquisa Narrares, no qual permaneço até hoje;

– em 2009, ingressei como professor efetivo da UFPA campus do Guamá, onde desenvolvi alguns projetos dos quais me alegro e me orgulho, como os Saraus (um deles em homenagem ao professor Álvaro), a editoria da revista da faculdade e a criação do podcast de Literatura.

… Uma loooonga trajetória nesta que é a maior do Norte.

Aí veio a pandemia.

Fatores pessoais pesaram: ficar perto dos meus afetos e diminuir a carga de viagens.

… Como eu não aprendi dizer “Adeus!”, 2020 é o ano de eu dizer:

((( Até logo UFPA!!! )))

Foi um longo e intenso relacionamento. Você me encontrou garoto cheio de espinhos e me transformou no que sou hoje. Muito obrigado! Desculpe-me qualquer coisa, mas tenha certeza que mesmo nos momentos em que errei, eu tinha certeza que estava fazendo o certo e o melhor para a casa. Estarei sempre em contato com você e sempre estarei lhe revisitando. E os vínculos agora podem continuar em relações interinstitucionais.

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A fotografia é de um canteiro que fica no jardim exatamente onde era a minha sala antes de eu ir para o Doutorado. Na reforma, coincidiu de colocarem este suporte para plantas. Ficou legal. Letra “A”, mas não é nenhuma homenagem a mim. Claro!

ENTREVISTA para ingressar em escola… particular

ENTREVISTA para ingressar em escola… particular

Há cerca de um mês vivi uma experiência no mínimo interessante. Como a escola onde meu filho menor estuda encerrou as atividades, saímos em busca de uma para 2019.

Numa das escolas, marcaram uma entrevista – condição para ingressar na escola (lembre: particular e cara). Tínhamos que ir os três. Sentamos os três diante da pedagoga que definiu onde cada deveria sentar. Fomos alocados: os pais de cada lado do estudante e ele no meio de frente para a “entrevistadora” que ficou atrás do computador lendo as perguntas.

Ela pediu que inicialmente apenas ele respondesse. Perguntou como era seu cotidiano, se ele fazia alguma outra atividade extra-escolar, se ele assistia muito TV ou jogava muito (celular etc), quanto tempo utilizava para estas atividades, se ele se comportava na sala na escola, se fazia as tarefas de casa (como arrumar cama, guardar brinquedos…), que tipo de lanche comia… E a gente ouvindo.

Quando, enfim, os pais puderam falar, ela pediu para ele ficar caladinho e continuou fazendo perguntas agora para nós. Sempre dizendo que já estava quase terminando, até que encerrou a entrevista.

Daí eu perguntei se eu também poderia saber algumas coisas. De susto, ela respondeu que sim. Eu quis saber qual a metodologia da escola, quem era a professora e se poderia ver o livro didático.

Ela se atrapalhou para falar sobre o método, não tinha exemplar do livro para eu ver e disse que não sabia o nome da professora, mas que eu ficasse despreocupado porque eles haviam feito uma chamada de emprego, feito um treinamento com alguns profissionais que depois deram uma aula para a direção da escola e que a pessoa já estava contratada. Ah sim… e que o salário que eles pagam é o melhor da cidade.

Lembrem-se: uma escola particular! E meu filho não era candidato à bolsa. Eu não conseguia entender o porquê de tudo aquilo.

Diante do meu incômodo, eu terminei falando: que para mim (sou professor há mais de 20 anos) saber o método era importante; ver o livro didático e avaliar algumas coisas mesmo que não seja 100% como penso, também era importante; e saber quem era profissional que ia trabalhar com meu filho também. Aí fui eu que me atrapalhei. Acho tão óbvio que os pais possam conhecer os professores dos filhos (esse contato pessoal, humano, não-artificial é importante) que não consegui explicar direito a pedagoga-entrevistadora-recrutadora. Disse apenas que não estava deixando um carro numa oficina onde um selo de qualidade de atendimento é o suficiente para atestar qualidade.

Enfim… meu maior incômodo mesmo foi o processo de admissão. Nós passamos em várias escolas para escolher em qual delas matricular nosso filho, mas ali eu sentia que a escolha não era minha, não era do pagador de mensalidade, não era do cliente, não era do pai preocupado com a educação para o filho. A escolha era da escola. Como empresa, eles é que estavam selecionando seus clientes.

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Aconteceu comigo em Marabá-PA.

Se vocês já viram algo semelhante em outro lugar… eu gostaria muito de saber a respeito

Manifesto da Literatura

Amigos e amigas, escritores e professores envolvidos com literatura. O texto que transcrevo é de Julian Fuks, escritor. Trouxe-o do Facebook para cá. _____________________________________

Caros, caras, Diante do descalabro que parece iminente nestas eleições, me pediram que escrevesse este “Manifesto da Literatura pela Democracia”, a ser subscrito por escritores e escritoras e demais profissionais do livro. Com a articulação de Guilherme Tauil, já reunimos gente muito boa, como Raduan Nassar, Chico Buarque, Lygia Fagundes Telles, Luis Fernando Veríssimo, Roberto Schwarz, Diamela Eltit, Mia Couto, Bernardo Kucinski, e tantos outros com quem tenho orgulho de me juntar. Quem quiser assinar, pode fazê-lo por aqui: https://literaturapelademocracia.wordpress.com/

Haverá também um ato na Tapera Taperá, no dia 26/10, às 19h, para reunirmos forças e palavras, e para enfrentarmos juntos esse horror que nos afronta. Cedo ou tarde, a democracia, a liberdade, a empatia, hão de se impor. Conto com vocês.

manifesto da Literatura