O romance em uma frase

O romance em uma frase

Depois que publiquei na internet e na ‘fanpage’ do facebook uma mostra do romance que vou lançar em Abril em Marabá, recebi emails, postagens e mensagens ‘inbox’ variados. A todos respondi pontual. Entretanto, é a partir desse diálogo que resolvi escrever esse texto.

Li, numa entrevista com editores, que todo grande romance, todo bom romance, pode ser resumido em uma frase. Assim, meu problema estaria resolvido e já terminaria aqui este texto. O fato é que a narrativa (mixórdia) a ser lançada não é um grande romance, nem digo ‘bom’, pois não cabe a mim fazer esse juízo. Ainda assim tentei resumir num email dizendo que Continue Lendo “O romance em uma frase”

Santa Maria repercussões e lições

Santa Maria: repercussões e lições

Eu continuo estarrecido com a tragédia de Santa Maria. Não digo que cheguei à revolta. Com os desdobramentos, então, aí dá para aborrecer e revoltar-se. Os mortos, as vítimas vivas, seus familiares e amigos não merecem o noticiário. Quando escrevi o texto anterior sabia da dimensão apenas por meio, pela metade. Não haviam me chegado aos ouvidos esse valor absurdo de mais de 200 mortos.

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Santa Maria

Santa Maria: tragédia, afeto, superação

Gosto de cidade, cidades, e tenho uma preferência pelas chamadas cidades médias. Nunca estive em Santa Maria, teria ido ano passado a primeira vez, mas ventos mudaram meu intento. Apesar disso, tenho um carinho muito grande pela cidade que conheço de ouvir, de fotos e de navegação pelo wikimapia. O fato de ter lá uma colega de magistério superior, cuja pesquisa é no mesmo tema do que venho desenvolvendo, e por isso termino por conhecer de leve e admirar daqui do meu norte tanto o trabalho quanto a pessoa, devem reforçar esse meu afeto inexplicável por Santa Maria.

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Folha de Concreto CD

Folha de Concreto é um trabalho poético realizado por Clei de Souza, poeta e professor da UFPa, e Jeová Ferreira, poeta e músico marabaense.
O título do cd é uma alusão aos bairros no núcleo urbano da Nova Marabá (Marabá-Pa), cujo mapa é o desenho de uma castanheira.
Os autores fazem uma incursão lírica extremamente moderna lançando olhos por uma cidade que vai se metropolizando.
Das cantigas de barqueiros nos primórdios da literatura local, passando pelo lirismo amoroso, cáustico e social de Frederico Morbach e Ademir Braz, creio que agora a literatura concreta, neo-concreta, chegou a Marabá.
Versando sobre a cidade (especialmente na faixa-título), no que ela tem em seus aspectos citadinos num viés urbano cujo aspecto rural pouco se vê (embora ainda exista), Clei de Souza e Jeová Ferreira empreendem um exercício poético musical, num caráter verbi-voco-visual, que merece atenção e destaque nas letras de Marabá e região. A vinculação estética ao (neo-)concretismo é bastante evidente e não à toa que a faixa Terra em trânsito (instrumental) tem epígrafe de Max Martins, um poeta urbe et orbe, glocalizado. Epígrafe que pode se estender para o trabalho todo.
Para ser universal, podemos até cantar a aldeia (como afirmou Tolstoi), mas a aldeia hoje é globo, por isso não basta o local fechar-se num regionalismo hermético assim como não é possível aceitar culturas alienígenas passivamente, o global e o local se exigem, e exigem dialética. É nesta dialética que vincula fortemente o caráter local ao global, e vice-versa que vejo um dos méritos desta empreitada lírico-musical.

Abilio Pacheco
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Capa CD.pdf

Faixa – Folha de Concreto
Faixa – Territórios
Faixa – Mercado de Ferro
Faixa – Terra em trânsito