abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

Archive for the ‘post outros temas’ Category

Luciana Hidalgo sobre Despropósito

Posted by Abilio Pacheco em 7 de março de 2017

Caro Abílio,
finalmente tive tempo para ler seu “Em despropósito (mixórdia)”.
Muito bem escrito. Parabéns. Boa história, a da Irma/Irmã. Muito bem ambientada, a história, no Brasil de Bartolomeu, do nosso velho e violento patriarcado, de mulheres marcadas a ferro. A sua descrição de Marabá (pp.68-69) é um dos meus trechos preferidos – além de outras tantas frases bem trabalhadas alinhavando a prosa. Gosto muito também da metaficção, que permeia toda a narrativa. Incrível, no final, saber que o “não-romance” é fruto de “notas de terapia”. Lembrei-me imediatamente de Serge Doubrovsky e seu “Fils”, é claro. Mas pode ser apenas ficção. Daí a curiosidade: trata-se de uma autoficção? Grande abraço, Luciana.

lucianahidalgo

Luciana,
Eu utilizo boa parte da minha experiência de viver a região sul e sudeste do Pará (este pedaço da Amazônia Brasileira) e também a experiência do trânsito que fiz por lugares onde os personagens passam, mas o romance não é uma auto-ficção.
Grato pela leitura e pelo comentário,
Abilio Pacheco

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Aos 17

Posted by Abilio Pacheco em 5 de dezembro de 2016

Correio do Tocantins de 28/10 a 03/11/94.

correio-tocantins-1995

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dois pesos

Posted by Abilio Pacheco em 3 de novembro de 2016

– Então quer dizer que são dois pesos e duas medidas?
– Não. Devem ser uns 5 ou mais pesos e medidas. O arroz e o feijão são em quilogramas. A água e o suco em litros ou mililitros. A distância é em metros e quilômetros. O tempo em minutos e horas. A temperatura em graus. E por aí vai. Entendeu?

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Poema manifesto

Posted by Abilio Pacheco em 1 de novembro de 2016

Poema manifesto para este tempo de exceção


Eu queria um poema para estes tempos convulsos e confusos.
Mas o beijo se faz desfeiteiro nestes rostos tão próximos e
os abraços, ora são evitados, ora são dados de lado.
Poucas pessoas colam peito no peito. Menos ainda como Ana Maria,
Que abraça corpo a corpo, atravessando alma com alma.
Estamos em um tempo de beijos e abraços sovinados
Quando nem mesmo os bêbados nos dão tão sinceros.
A esperança são os putos e as putas, que não se negam,
São os companheiros e companheiras que sempre lutam
E se entregam à pauta de braços e abraços e corpo e alma.

Eu queria um poema para este tempo esvaziado de nexo.
Tempo de cabeças surdas, pensamentos exilados, panelas mudas,
muxoxos esnobes, olhos com viseira de burro, passos teleguiados e
mãos atrofiadas em seu incerto comodismo e suas certezas elitistas.
Tempo de mentalidade coxinhas, de manifestações TPF, de dissimulações,
De frivolidades, de atentados a conquistas sociais e de missas para torturadores.
Tempo de pactos e pec’s. De novas versões dos atos que já vimos.
De acordos tramados à surdina e questões fechadas em jantares de luxo
Com discretos avisos aos correligionários que desejarem votar contra.

Estou cansado e olho com desgosto este tempo de exceção.

Eu queria um poema para este tempo de escolas ocupadas.
São quase mil no Paraná. A maior resistência vem justamente
de onde existe um moro e uma enorme força reacionária.
São das escolas e universidades ocupadas que nos chegam
Vozes claras, convictas e jovens como a Ana Júlia Ribeiro,
Que da tribuna de uma casa de leis expôs a nudez do rei,
Mostrou a todos o óbvio que muitos não se negam a ver
E outros desligam o microfone e cérebro para não ouvir.

Eu queria um poema para este tempo de luta e resistência,
que fosse também um hino, um canto de combate, um grito
contra esse estado de negação de direitos e conquistas,
contra golpistas e ilegítimos, contra essa coisa aí.
Um poema manifesto que não fosse meu mas de todos.
Tome, portanto, este rascunho consigo, e escreva nele.
Modifique à vontade, ignore rimas ou regras… e deixa-se falar.
Ponha seu nome e espalhe. São versos de código aberto…

_________
Código aberto é um termo da informática que vou explicar como leigo que sou no assunto:
É um tipo de programa ou sistema em que o usuário (em geral avançado) pode modificá-lo como quiser. O Linux é um sistema de código aberto. A proposta do poema é exatamente esta: que você modifique, acrescente, emende, suprima, faça com ele o que você quiser. Eu mesmo amanhã vou fazer dele outra versão, e depois outra, e outra…

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Versos de código aberto

Posted by Abilio Pacheco em 27 de outubro de 2016

Versos de código aberto

Eu queria um poema para estes tempos convulsos e confusos.
Mas o beijo se faz desfeiteiro nestes rostos tão próximos e
os abraços, ora são evitados, ora são dados de lado.
Poucas pessoas colam peito no peito. Menos ainda como Ana Maria,
Que abraça corpo a corpo, atravessando alma com alma.
Estamos em um tempo de beijos e abraços sovinados
Quando nem mesmo os bêbados nos dão tão sinceros.
A esperança são os putos e as putas, que não se negam,
São os companheiros e companheiras que sempre lutam
E se entregam à pauta de braços e abraços e corpo e alma.

Eu queria um poema para este tempo esvaziado de nexo.
Tempo de cabeças surdas, pensamentos exilados, panelas mudas,
muxoxos esnobes, olhos com viseira de burro, passos teleguiados e
mãos atrofiadas em seu incerto comodismo e suas certezas elitistas.
Tempo de mentalidade coxinhas, de manifestações TPF, de dissimulações,
De frivolidades, de atentados a conquistas sociais e de missas para torturadores.
Tempo de pactos e pec’s. De novas versões dos atos que já vimos.
De acordos tramados à surdina e questões fechadas em jantares de luxo
Com discretos avisos aos correligionários que desejarem votar contra.

Estou cansado e olho com desgosto este tempo de exceção.

Eu queria um poema para este tempo de escolas ocupadas.
São quase mil no Paraná. A maior resistência vem justamente
de onde existe um moro e uma enorme força reacionária.
São das escolas e universidades ocupadas que nos chegam
Vozes claras, convictas e jovens como a Ana Júlia Ribeiro,
Que da tribuna de uma casa de leis expôs a nudez do rei,
Mostrou a todos o óbvio que muitos não se negam a ver
E outros desligam o microfone e cérebro para não ouvir.

Eu queria um poema para este tempo de luta e resistência,
que fosse também um hino, um canto de combate, um grito
contra esse estado de negação de direitos e conquistas,
contra golpistas e ilegítimos, contra essa coisa aí.
Um poema manifesto que não fosse meu mas de todos.
Tome, portanto, este rascunho consigo, e escreva nele.
Modifique à vontade, ignore rimas ou regras… e deixa-se falar.
Ponha seu nome e espalhe. São versos de código aberto…

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Código aberto é um termo da informática que vou explicar como leigo que sou no assunto:
É um tipo de programa ou sistema em que o usuário (em geral avançado) pode modificá-lo como quiser. O Linux é um sistema de código aberto. A proposta do poema é exatamente esta: que você modifique, acrescente, emende, suprima, faça com ele o que você quiser. Eu mesmo amanhã vou fazer dele outra versão, e depois outra, e outra…

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