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Poema para 2021

Antonio Carlos Secchin publicou este poema para 2021. Mestre é mestre. Irônico e belo poema.

“Uma vacininha”, pelo amor de Deus!”
Clamam em conjunto crentes e ateus.
O povo na rua faz coro, pedinte:
“Vamos nos vacinar contra 2020”.
Duzentos mil mortos perturbam as finanças:
Morreram e deixaram pensões como herança.
Grana brilhando no bolso e na Bolsa;
Esse é o critério para que Deus nos ouça?
Sem crer na lei do bolso, narro:
A vida há de ser nosso bem mais caro.
Que fique então desde já decretado:
Em vez de gente, o medo será confinado.
Declaremos, contra quem nos condena,
Que não morrer vai sempre valer a pena.
E que venha a constar de todo livro:
Brasileiro bom é brasileiro vivo.

Veja a postagem original no facebook:

Semente do amanhã

O coral da UNIFESSPA gravou esta mensagem de final de ano e recepção de 2021. Estou encantado com o que fazem nesta IFES.

Nunca Pare de Sonhar
Gonzaguinha

Ontem um menino que brincava me falou
Hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que este tempo vai passar
Não se desespere e nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs

Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será

Livros digitais mais vendidos em 2020

O Google divulgou esta semana a lista com os livros digitais e audiolivros mais vendidos do Brasil em sua plataforma. Os podcasts mais escutados no Google Podcasts também foram elencados.

Os 10 livros digitais mais vendidos em 2020 no google play

• Dois é demais para você
• Toriko
• Ômega Syur: A fúria dos nove
• Truque de mágica
• Arte da Guerra
• Disciplina da mente: Seja seu diretor interior de autogerenciamento
• O diário de Anne Frank
• Hackademia
• O criador da realidade: A vida dos seus sonhos é possível
• A barraca do beijo: Ela pode dizer ao seu amigo qualquer coisa… Exceto isso

Num ano tão difícil, para dizer o mínimo, ver O diário de Anne Frank entre os mais vendidos é sintomático.

Receita de Ano Novo – Drummond

Reveillon em Marabá (virada 19->20). Fotógrafo: Jordão Nunes. Origem da imagem: jornal Correio de Carajás
RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Ouça este poema de Drummond na locução de voz de Josy Correa, da Rádio Trovadoras.

Nos anos anteriores, eu publiquei um poema, uma crônica e um conto curto.
Este ano vou eu preferi ouvir Drummond.