Sessao tematica 1 – Simposio Slins

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SESSÃO TEMÁTICA 1: TRADUÇÃO E ESTUDOS MULTIDISCIPLINARES

ORGANIZADORAS:

PROFª DRª SYLVIA TRUSENPROFª DRª TÂNIA SARMENTO-PANTOJA

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RESUMOS (em ordem alfabética por ‘autor’)

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Espelho Meu (dentro do) Espelho Meu: Existe Alguém Mais Vazio que Eu?

Abilio Pacheco de Souza – UFPA (Campus de Bragança)

Resumo: Apresentando algumas reflexões sobre o livro Benjamim (1995), de Chico Buarque, e o filme homônimo dirigido por Monique Gardenberg (2007), baseado na narrativa buarqueana, procuramos discutir as relações entre as linguagens artísticas (literatura e cinema) a fim de acompanhar o vazio, a letargia e a apatia política do protagonista como uma representação desse silenciamento numa parcela da intelectualidade brasileira das décadas de 60 e 90 (Ridenti, 2000). Para isso, consideramos tanto o livro e o filme como duas traduções de dois momentos da história brasileira recente quanto o filme como tradução de uma tradução do mesmo contexto.
Palavras-chave: Chico Buarque. Literatura. Cinema. Tradução

Propriedade, “A demarca­ção dos seus campos”, apropriação e tradução:
Experiência de Passagem ou e A linguagem poética de Dalcídio Jurandir

André Luis Valadares de Aquino – UFPA/CAPES.
Gunter Karl Pressler (Orientador) – UFPA/CNPQ

RESUMO: Produzo trabalho que se inclina para estabelecer estudo comparativo entre a escrita literária (Dalcídio Jurandir) e a “escrita” cultural (região do arquipélago do Marajó). Desenho ou inscrevo um “mapa” que se compromete menos com a reconstituição dos espaços repetidos na “tradução poética”, interessado especialmente no território não documentado: espaço adicionado ou a rasura que faz perder o leitor-viajante (maculatura da linguagem poética) – leitura como travessia. Revisito os roteiros inscritos como opção cartográfica ou sentidos para se re-conhecer a cultura local. A duração da passagem se compromete pelas ondulações de linguagem, para quem deseja se lançar a leme da narrativa lenta e oscilante de Dalcídio Jurandir. A prosa poética institui uma tensão dialética entre o local e o universal, operando signos reconhecíveis (“regionais”) e reformulando-os (traduzindo-os), em vista de tornar o texto cultural acessível, ao mesmo tempo em que borra a imagem ou o documento da cultura. As oscilações da narrativa podem produzir o mal-estar próprio da experiência do poema, assumindo o naufrágio, podem levar à exaustão o leitor-peregrino na viagem: “Voltou muito cansado, os campos o levaram para longe…”.
Palavras-chave: Dalcídio Jurandir; Língua Poética; Tradução.

Um Círculo Utópico da Política De Resistência em Rasga Coração, de Vianinha

Augusto Sarmento-Pantoja – UFPA

Resumo: A peça de teatro Rasga Coração de Oduval Viana Filho (Vianinha) marca o cenário político dos anos 70 e se revela na performance contemporânea, mais de trinta anos após sua estréia um fluxo contínuo de indagações sobre as formas de circularidade da política nacional e latino-americana no âmbito de assentar o espaço utópico da política de resistência. Uma das últimas montagens, a empreendida por Dudu Sandroni, converte o texto em um passado utópico de recuperação da história, literária, teatral e musical e o comprometimento político de Vianinha.
Palavras-Chave: Rasga Coração. Circularidade. Resistência. Utopia. Política Nacional.

Entre Lembrar e Esquecer: Memória e Testemunho no Conto A Mancha, de Luís Fernando Veríssimo

Carlos Augusto Costa – UFPA

Resumo: A apresentação tenciona examinar relações entre o conto A mancha (2004), de Luís Fernando Veríssimo, e políticas de memória e esquecimento sobre o recente passado brasileiro, marcado por conflitos sociais de extrema violência. Para isso, faz análise interpretativa da obra, dando visibilidade a questões teóricas sobre memória e testemunho. Objetivamente, o estudo procura compreender os procedimentos formais de construção do conto como possibilidade tradutória da experiência histórica da Ditadura Militar de 1964.
Palavras-chave: Memória. Testemunho. Conto brasileiro contemporâneo.

Ver-o-Peso: Tradução, Coragem e Resistência na Poética de Max Martins

Helenice Silva – UFPA
Tânia Sarmento-Pantoja (Orientadora) – UFPA

Resumo: O presente artigo visa apresentar um estudo sobre algumas das características sobre resistência como tradução, que suponhamos encontrar na obra “Ver-O-Peso”, de Max Martins. O poema, entendido como uma resistência de tradução cultural, que parece revelada no decorrer de todo o texto em si. Entender o poema como uma resistência de tradução, segundo as concepções de Bosi em “Narrativa e Resistência” (2002) e Haroldo de Campos (1977), consiste em perceber a manifestação da palavra que vem através do poeta, como uma ação manifestante da verdade. Segundo a obra foulcautiana, “A Coragem da verdade” (2008), ocorre uma conexão com a ética do intelectual onde revela seu papel político-social. Em seu texto, Max inscreve o homem do “Ver-O-Peso”, através do lirismo poético, onde revela seu papel ético-político-social numa construção de sentido de sua resistência. Faz o percurso de uma relação/manifestação no interior da tarefa da língua, quando traduz através de uma metapoética a superação de um trabalho aviltante, percebido do ponto de vista social. Consiste numa topoanálise de cada ação, na qual reflete sobre a intimidade no espaço em que realiza o poema como ato de transcriação. É o homem universal que surge, que “é trazido e traduzido” na construção do poema, a partir de um ambiente. É tradução poética, pois, ressignifica um processo que liga espaço, tempo, língua, cultura, costume e crença, onde ocorre o encontro, o diálogo e a relação entre épocas num determinado tempo histórico. O texto emerge em seus aspectos mais particulares, entre a coragem, resistência e verdade de uma vida, revelada no homem individual e na esperança de uma coletividade.
Palavras-chave: Tradução; Coragem; Resistência; Ver-o-Peso; Max Martins.

Sobre a Tradução de Poemas Indígenas por Herberto Helder

Izabela Leal – UFPA

Resumo: É fato notório que em seus cinco livros de traduções Herberto Helder dedica uma atenção especial à tradução de poemas indígenas, sendo que um desses livros chega até a se intitular Poemas ameríndios (1997). Sabendo que o gesto de traduzir aponta para uma relação entre diferentes culturas, procuraremos analisar a construção de um imaginário mítico pelo poeta português e de uma proposta transgressora, e ao mesmo tempo ritualística, de relação com a linguagem.
Palavras-chave: Herberto Helder. Tradução. Imaginário Mítico. Linguagem

Entre o canto e o conto

Josiclei de Souza Santos – UFPA
Alessandra Nunes Bezerra – UFPA

Resumo: Este estudo busca refletir sobre o modernismo na obra de Waldemar Henrique, compositor paraense, mostrando como o mesmo se inscreveu no projeto modernista brasileiro de construir na arte um discurso da diferença em relação à Europa, a partir do diálogo dos artistas com a tradição subalterna do país. Usa-se como exemplo de análise a composição “Foi boto, sinhá”, do referido autor em parceria com o poeta Antônio Tavernar. O objetivo é mostrar como houve, assim como nas outras linguagens artísticas à época, uma apropriação da tradição oral no que diz respeito ao conteúdo, à linguagem e à performance, para a construção do efeito estético na canção. Para tanto se constrói uma análise que atenta para os elementos verbais e não-verbais que compõem a estrutura da composição, quando da sua execução, observando as convergências e divergências entre os gêneros lírico, narrativo, dramático na canção, aliados aos elementos musicais.
Palavras-chave: Waldemar Henrique. Modernismo. Identidade.

Tradução como Encenação

Mayara Ribeiro Guimarães – UFRJ

Resumo: Reflexão sobre o ato de traduzir na corrente de teóricos da tradução, como Walter Benjamin e Derrida, que pensam uma zona de incomunicabilidade e violência inerente à prática tradutória. Geradora virtual de várias máscaras que agem sobre o tradutor, esta violência pressupõe o afastamento do original e a alteração da língua de chegada, e revela uma espécie de jogo heteronímico entre texto original e texto traduzido. Nesta zona de intraduzibilidade instaura-se a fissura por meio da qual a fala particular do estrangeiro se traduz na fala própria do tradutor, sobretudo quando o objeto de pesquisa é a tradução de poetas por poetas, caso de Fernando Pessoa, Vasco Graça Moura, Luiza Neto Jorge, Herberto Helder, e, no Brasil, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Haroldo de Campos, para ficarmos no século XX. Desde o século XIV, a questão da tradução envolve também a prática de reflexão sobre esse processo. Este ensaio busca seguir tal exercício e refletir sobre a reflexão da prática tradutória, partindo da metáfora do tradutor não apenas como traidor, mas, sobretudo, como ator, onde a escrita do outro espelha a escrita do próprio, já que aquilo que o autor escreve nunca lhe pertence por inteiro e nem lhe é completamente alheio. O objeto de investigação escolhido para essa meditação é o ensaio “Traduzir procurando não trair”, de Clarice Lispector, além de reflexões feitas por poetas tradutores brasileiros e portugueses.
Palavras-chave: Clarice Lispector. Tradução. Encenação.

Tradução / Crítica Literária: O Caso Blake

Ricardo Pinto de Souza – UFRJ

Resumo: Esta comunicação tratará das relações entre crítica literária e tradução literária a partir do caso do poeta inglês William Blake. O interesse, no caso, é tentar entender como a tradição interpretativa e crítica da obra de Blake se reflete na tradução de sua obra, para o português, especialmente, mas também para o francês.
Palavras-chave: Tradução, Crítica Literária, William Blake, Walter Benjamin

As ilustrações do Hänsel und Gretel: apontamentos para a tradução e a leitura

Sylvia Maria Trusen – UFPA

Resumo: Em 1812, sai a público a primeira edição do célebre conto Hänsel und Gretel dos Irmãos Grimm, traduzido, comumente, no Brasil, por João e Maria. A trajetória da narrativa é vasta e, se tem recebido os mais diferentes tipos de traduções e adaptações, as ilustrações não fogem à regra. Neste texto, propomos a leitura comparada de dois trabalhos – o conto por imagens de Rui de Oliveira e a ilustração da alemã Janssen à narrativa dos Grimm. Ambos se articulam ao Hänsel und Gretel como uma espécie de texto-ao-lado que desvela o que foi calado.
A perspectiva teórica adotada, portanto, movimenta-se no campo dos estudos comparados, particularmente aqueles dedicados aos estudos da tradução, entendida aqui no sentido amplo do termo. Efetivamente, neste âmbito, a relação texto/imagem, constitui um campo fértil de investigação, demandando do pesquisador empenho voltado à compreensão dos processos de traslado entre os campo semióticos distintos. Tal esforço, se é per si legítimo, justifica-se, ademais, pela posição marginal ocupada pelo trabalho do ilustrador, nas investigações, de modo geral.
Palavras-chave: Hänsel und Gretel. Tradução. Leitura. Grimm. Ilustração

O Pastiche como Exercício de Historio-Grafia em Lealdade, de Márcio Souza

Tânia Sarmento-Pantoja – UFPA

Resumo: O presente trabalho propõe algumas reflexões sobre a utilização do pastiche como mediador – e entendido como recurso de traduzibilidade – entre dois campos de conhecimento: o historiográfico e o literário. A partir dessa proposição o romance Lealdade (1997), de Márcio Souza é analisado, primeiramente, com vistas a estabelecer parâmetros de reconhecimento do núcleo da matéria historiográfica; segundo, para pontuar como o pastiche propõe a apresentação da matéria histórica como historio-grafia.
Palavras-chave: Márcio Souza. Pastiche. Traduzibilidade. Literatura. Historiografia.

Uma praça, um poema… Tantos amores!

Tatiana de Sousa Silva – UFPA
Sylvia Trusen (Orientadora) – UFPA

Resumo: Este artigo apresenta alguns aspectos discutidos por teóricos a cerca da tradução, tais como Roman Jakobson e Jorge Larrosa. Aborda a definição mais convencional de tradução, bem como o seu sentido mais amplo, detendo-se aí de modo especial, uma vez que há interesse maior deste artigo pela compreensão de tradução como leitura e interpretação. Devido ao interesse cada vez maior pela tradução, novas visões despontam no sentido de não mais limitá-la, reduzi-la à passagem de uma língua para outra, pois esta é apenas uma das formas de traduzir, assim como propôs JAKOBSON (1995) ao distinguir os três tipos de tradução, a saber, tradução interlíngual, intralíngual e inter-semiótica. A primeira diz respeito à tradução literal de uma língua para outra, tal como as traduções medievais apontadas no ensaio de Burke. A segunda, também chamada por Jakobson de reformulação, refere-se à tradução de sentidos. E a terceiraconsiste na interpretação dos signos verbais por meio de sistemas de signos não verbais. Relacionar tradução a leitura e interpretação ampliam o seu campo de abrangência, possibilitando a identificação de vários trabalhos como tradução. A versão cinematográfica de uma obra literária ou a criação de uma obra literária a partir da leitura de uma imagem, que pode ser um quadro, um lugar ou uma cidade constituem leituras diferentes, traduções. A leitura de mundo que o poeta faz e materializa em seus poemas é, na verdade, interpretação do real, logo é tradução. Nesse trabalho apresento um dos poemas do poeta bragantino Jorge Ramos, como leitura e por que não dizer tradução de um lugar, de uma praça, situada na cidade de Bragança. Esclareço que o interesse nesse poeta explica-se pelo fato de o mesmo fazer parte de meu trabalho de dissertação e o que apresento neste texto é apenas uma pequena semente, o início de algo que se pretende fazer mais amplo. Vale ressaltar que não pretendo aqui fazer uma análise crítica ou literária do poema. O pensamento central relaciona-se a leitura e tradução – tradução entendida no sentido mais amplo, relacionada à leitura e interpretação – pois apresento o referido poeta como tradutor que se lançou a tarefa de verter o texto (a cidade de Bragança) a sua própria linguagem, a poesia. O autor espanhol Jorge Larrosa em La Experiencia de la Lectura concebe a leitura como uma operação de tradução e além de referir-se a relação que Jakobson faz entre tradução e interpretação, afirma que “también Gadamer asocia leer, interpretar y traducir al considerar a traducción como um caso particular y la vez como um modelo de toda actividad hermenêutica” (LARROSA, 1996, p. 300).
Palavras-chave: Jorge Ramos. Poesia. Tradução. Criação