Hallow Reis

 Hallow Reis

Segunda-feira passada foi Dia de Reis. Pena que esta festividade popular tão comum no nordeste brasileiro não o seja por aqui. Talvez nos interiores da Amazônia ocorra, mas em Belém, não que eu saiba. Qualquer ano desses, passo o dia 06 de janeiro, em Coroatá-MA, cidade da minha infância, a fim de acompanhar o reisado. Esta crônica, entretanto, não é exatamente sobre o Dia de Reis.

Sobre a perda dessa tradição do reisado geralmente ouço lamentos no mês de outubro, por ocasião do Halloween. Continue Lendo “Hallow Reis”

A obrigação de ser feliz

A obrigação de ser feliz

Numa postagem no Facebook, li Simone Pedersen falar da tristeza que é o Natal, época do ano em que as pessoas têm obrigação de ser felizes, ou ao menos parecerem felizes. É verdade, vejo, sinto isso; vejo também uma certa obrigação de solidariedade como escrevi numa crônica perdida que publiquei em 2000. As pessoas nem sempre estão sendo solidárias e promovendo um Natal melhorzinho para aqueles que vão passar o ano novo todo na penúria. Elas estão massageando-se. Estão buscando uma espécie de alívio para a própria culpa. A culpa de ter enquanto muitos não têm. E o Natal é a época do ano mais propícia a isso. A pressão pela felicidade, a pressão para ser/parecer bom, a pressão pela fraternização… Pressão que existe o ano todo, porém em menos despotismo.

Trabalhei 2 anos e meio numa escola atípica Continue Lendo “A obrigação de ser feliz”

11 de dezembro

em abril/13

11 de dezembro – dia de Carajás, dia de Tapajós

Hoje faz um ano que a população do Pará foi às urnas para decidir sobre a criação dos estados de Carajás e Tapajós.
Literalmente quem decidiu foi a população do Pará, das cidades que formam o Pará, das cidades formavam o Pará e das cidades que continuariam no Pará caso a “questão política” da emancipação fosse resolvida.
Foram as cidades que são o Pará que decidiram. Ou ainda apenas a população da grande mãe (metrópole!) foi que decidiu.
Curiosamente (ou não tão curiosamente) a porcentagem de votação nas cidades dos estados (psicológicos, culturais, linguísticos, artísticos, gastronômicos…) de Carajás e Tapajós é absurdamente grande. Continue Lendo “11 de dezembro”

Do pronunciamento de Dilma

Do pronunciamento de Dilma

Ontem nossa presidente (que numa gestão democrática se dá o direito de fazer um ato de violência civil contra a gramática de língua portuguesa e faz descer goela abaixo dos gramáticos mais conservadores uma flexão de gênero que não é gramaticalizada nem de uso corrente) fez um pronunciamento para abrandar ânimos. Como sua fala vem após reuniões com vários de seus ministros, dentre eles a ministra-chefe da casa civil, deveríamos entender que é resultado desse diálogo. Aqui já despontam alguns dos principais equívocos do pronunciamento. A “voz das ruas” não é a voz dos ministros. Se fosse, a possibilidade de haver manifestação seria menor. Alguns desses ministros têm exatamente o perfil sufocante que tanto tem apertado a população brasileira a ponto de um ou outro tem o apelido delicado de ‘trator’ (o mesmo trator que parece passar à luva de pelica sobre quem deveria ser mais rígido/a). Há também um equívoco complexo (que resultou nesse ato corajoso de falar com o povo por dez minutos): Continue Lendo “Do pronunciamento de Dilma”

A voz das ruas

A voz das ruas

A insatisfação é geral! O movimento que teve início após as manifestações em São Paulo e que nos próximos dias ainda resultarão em protestos em várias outras capitais e outras cidades do Brasil (além dos apoios de brasileiros que estão morando em outros países) é fruto de uma insatisfação geral. O Brasil vai bem na foto. Todo cidadão Europeu, pensa que aqui não existe crise, que o país (por estar em ascenção econômica sendo o quinto/sexto mais rico) resolveu seus problemas internos mais gritantes, que os brasileiros estão usufruindo dessa rica e que são hoje o que um cidadão europeu era há 30 anos, que a população tem acesso a direitos básicos com qualidade. Mas não é nada disso. “Quem quiser venha, mas só um de cada vez”, como diz a letra do Mosaico de Ravena (e eu tenho sempre a impressão que na Amazônia a coisa está muito pior). E afinal, quais os porquês dos protestos? Continue Lendo “A voz das ruas”