abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

Archive for the ‘ll – poemas’ Category

Alguns poemas meus e links para páginas onde foram publicados.

Poema manifesto

Posted by Abilio Pacheco em 1 de novembro de 2016

Poema manifesto para este tempo de exceção


Eu queria um poema para estes tempos convulsos e confusos.
Mas o beijo se faz desfeiteiro nestes rostos tão próximos e
os abraços, ora são evitados, ora são dados de lado.
Poucas pessoas colam peito no peito. Menos ainda como Ana Maria,
Que abraça corpo a corpo, atravessando alma com alma.
Estamos em um tempo de beijos e abraços sovinados
Quando nem mesmo os bêbados nos dão tão sinceros.
A esperança são os putos e as putas, que não se negam,
São os companheiros e companheiras que sempre lutam
E se entregam à pauta de braços e abraços e corpo e alma.

Eu queria um poema para este tempo esvaziado de nexo.
Tempo de cabeças surdas, pensamentos exilados, panelas mudas,
muxoxos esnobes, olhos com viseira de burro, passos teleguiados e
mãos atrofiadas em seu incerto comodismo e suas certezas elitistas.
Tempo de mentalidade coxinhas, de manifestações TPF, de dissimulações,
De frivolidades, de atentados a conquistas sociais e de missas para torturadores.
Tempo de pactos e pec’s. De novas versões dos atos que já vimos.
De acordos tramados à surdina e questões fechadas em jantares de luxo
Com discretos avisos aos correligionários que desejarem votar contra.

Estou cansado e olho com desgosto este tempo de exceção.

Eu queria um poema para este tempo de escolas ocupadas.
São quase mil no Paraná. A maior resistência vem justamente
de onde existe um moro e uma enorme força reacionária.
São das escolas e universidades ocupadas que nos chegam
Vozes claras, convictas e jovens como a Ana Júlia Ribeiro,
Que da tribuna de uma casa de leis expôs a nudez do rei,
Mostrou a todos o óbvio que muitos não se negam a ver
E outros desligam o microfone e cérebro para não ouvir.

Eu queria um poema para este tempo de luta e resistência,
que fosse também um hino, um canto de combate, um grito
contra esse estado de negação de direitos e conquistas,
contra golpistas e ilegítimos, contra essa coisa aí.
Um poema manifesto que não fosse meu mas de todos.
Tome, portanto, este rascunho consigo, e escreva nele.
Modifique à vontade, ignore rimas ou regras… e deixa-se falar.
Ponha seu nome e espalhe. São versos de código aberto…

_________
Código aberto é um termo da informática que vou explicar como leigo que sou no assunto:
É um tipo de programa ou sistema em que o usuário (em geral avançado) pode modificá-lo como quiser. O Linux é um sistema de código aberto. A proposta do poema é exatamente esta: que você modifique, acrescente, emende, suprima, faça com ele o que você quiser. Eu mesmo amanhã vou fazer dele outra versão, e depois outra, e outra…

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Silêncio Rumorento da Tarde

Posted by Abilio Pacheco em 19 de setembro de 2014

Silêncio rumorento da tarde

Abilio Pacheco

traz-me o vento um acorde seco
um sol mofino desafina fios mofos
não têm graça esses seres leves
mais leves que uma aeronave
veículo mais pesado que o ar
e o vento se azucrina desses cavalos
dormentes que trotam em teclas

são os pássaros em paços urementos
em que sandálias longe de serem dálias
sapatos chapinham em passos
e em tamancos… sim! manqueantes
moças dammes e raparigas chiam
aquele um torce-se e cospe na pedraria
causo do que a praça me faz inalo

estridem dos bicos como gosma
escorrendo entre meio fio e desvio
ou ao menos tento enxoto meu pé
meus cascos dos cacos e gomas de chique
de chicle de boca esnobe “trái” “daite” “laite”
dela mesma mana denasando
a manteiga do escarro ordinário

há canções belas esgarçadas por
abafadas por sopros de mormaços
hálitos de bochornos suarentos
bafos de sovacos desadovados
não há canto rijoso a malodor
e duram então essas coisas aí
tecno-quê de melody-lhufas

gargalhos zanzos banzando
dejetos vesperais nas lâminas
lamas do velho lemos a-tonus
lesmas ideias de empulcrar ruas
ridentes desrimos desrumos
desrimamos dentes de fora
alegrias destons rictos ao sol

aos poucos se ciciam anêmicas
arengas rogos mojos a-rengas
somadas delas de-somadas
à tarde a tarde atarda clara
nívea de cristais núbil
canoros breus soteros brumos
prumos pros rumos rumores

haveres de versos à espreita
inseto retido em pus catarro
vômito em estômago mareado
o poema no hades dos ruídos
no inferno sonoro da tarde
bolha de ar em balde emborcado
asfalto cedendo à força d’água

A ser publicado no livro solo “T ARDO    L  IVRE” e na antologia do 4º Prêmio Proex de Literatura (UFPA)

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aomaxm

Posted by Abilio Pacheco em 17 de dezembro de 2013

Depois deste poema ter sido recusado em nove certames literários, inclusive o Prêmio PROEX-UFPA de Literatura, eis enfim saindo do ineditismo.
É verdade, este meu poema não obteve menção honrosa, menção especial, destaque, outorga, incentivo, prêmio de edição… nada.

¹ mó e pó em idiomas diferentes significam mão

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consciencia etnica

Posted by Abilio Pacheco em 20 de novembro de 2013

 

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Meditacao ao Tocantins – declamacao

Posted by Abilio Pacheco em 29 de julho de 2013

No último dia 26 de Julho, durante o V Sarau da Lua Cheia, na praia do Tucunaré, em Marabá, meu poema Meditação ao Tocantins foi lido e declamado na abertura pelo poeta e confrade da Academia de Letras do Sul e Sudeste do Pará, poeta, escritor, professor e historiador Airton Souza.
O Sarau é um evento mensal (nas noites de lua cheia, claro) em lugares diferentes a cada edição e é organizado pelos poetas de Marabá.
Eu fico muito feliz com o fato de a poesia estar no ar e nas vozes em Marabá e estou lisonjeadíssimo com a declamação de meu poema.
Vocês mereciam um amigo mais próximo. Vejam mais sobre o sarau em: http://olhardoalto.blogspot.com.br/2013/07/v-sarau-da-lua-cheia-praia-lua-cheia.html.

Meditação ao Tocantins foi uma das homenagens que fiz a Marabá pelos seus 100 anos. Ele foi publicado na Antologia Literária Cidade especial volume 10, teve a primeira das oito partes declamada por Samuel Costa (poeta de Ponta de Pedras) e em breve fará parte de uma antologia publicada no Sul do Brasil onde também estarão presentes Affonso Romano Sant’anna, Marina Colasanti, Ferreira Gullar.

Vejam a declamação.

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