Marabela – poema

Ainda no ritmo de aniversário de Marabá, posto este poema da professora de Linguística da UNIFESSPA, Dra Eliane Soares

MARABELA (PRECIOSA)

Marabá
Uma terra quase ilha
Mesopotâmia tropical
No meio dos rios, uma trilha
Feita de sangue, suor, lágrimas, mel
e sal
Babilônia onde reinam os reis da terra
Na boca, o progresso e o bem geral
Nas mãos, a lei do mais forte e do machado
Que um dia dominou o castanhal
Uma terra prometida à multidão
De homens e mulheres conquistadores
Corações em desespero e ousadia
Busca de um eldorado e de amores
Terra mulher, mãe, esposa, amante, filha
Herdeira da Cruz e de Tupã
Índia de arasóia e Barbarella
Vitória régia e estrela da manhã
Filha do temor e do tremor
Criança mestiça, renegada,
Profecia do oráculo sem fala
Onde o demiurgo louco enxergou
Uma deusa pagã vingativa,
A quem chamou: Marabala.
Eu te pergunto:
Bela e louca
Marabala,
Quem te ouve?
Quem te cala?
Doce e frágil
Marabala,
Quem te fere?
Quem te abala?
Triste e só
Marabala,
Quem te ama?
Quem te embala?
Será Marabala,
Marabela?
Quem te sonha?
Quem te vela?
Eu te batizo:
És
Marabá
Marabela
Preciosa
Forte
Bela.

Eliane Soares
(poema feito em 2000)

Mural feito pelo artista visual Bino Sousa como homenagem à cidade e à uma nova forma de referir-se a ela em oposição à anterior.

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