Comentário sobre o Despropósito

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Marcos Samuel Costa postou esta foto e fez a seguinte postagem em seu perfil do Facebook:

“Estava conversando esse semana com uma amiga sobre formas interessantes de escrita. Ela citou um amigo nosso de São Paulo, o Santana Filho. E eu falei para ela desse romance do paraense Abilio Pacheco. Para mim, esse foi um dos melhores romances publicado no estado nos últimos anos. E como disse a minha amiga, uma pena que ele passou tão despercebido pelos leitores.”

 

Eu respondi:

“Ele [Marcos Samuel] comenta que o romance passou despercebido pelos leitores. Eu concordo com ele. Mas é preciso lembrar que vivemos um momento bastante diferente em relação às grandes obras, aos grandes homens (ou mulheres) e às grandes narrativas. As explicações do mundo apresentadas por um Homero (que na verdade explicou apenas uma parcela do mundo grego) já não são mais o que procuramos. Quando eu vejo as editoras grandes (e que estão cada vez menos grandes) querendo apresentar certas leituras do que é ser brasileiro ou de como é nossa “gente”, o que vejo que sempre serão posições parciais, mas que ao serem publicadas por editora grande soam como se fossem universais. Quando Tolstoi afirma “quer ser universal, canta tua aldeia”, ele talvez queira dizer exatamente isto: “Não se iluda, não existem universais, apenas aldeias”. Eu quis apenas apresentar isso, uma leitura desse pedaço de terra que bem conheço. O amigo Gutemberg Armando Diniz Guerra, que escreveu uma resenha ao romance e publicou na revista acadêmica Margens Abaetetuba, entendeu muito bem isso. Talvez as perguntas sejam exatamente estas: Que são esses leitores que temos em mente? Será que esperava que o livro tomasse grandes proporções, vendesse milhares e eu sequer pudesse responder aos emails sobre ele? E que hoje estaria aqui uma secretária ou assessora escrevendo para vocês? Claro, que quanto mais leitores melhor. Entretanto, eu mesmo não saberia agora enumerar os nomes de todas as pessoas que leram este livro e comentaram algo. Alguns comentários me chegaram via redes sociais (e mesmo no Skoob), eu postei no meu site. O romance foi citado numa dissertação de Mestrado defendido na UFRGS por Fidelainy Sousa. Mesmo quem conhece o romance e nunca disse nada sobre ele, me pergunta quando virá o segundo. Teve uma aluna que queria fazer o TCC sobre o romance mas queria que eu fosse o orientador. Não faz sentido. Recusei. Ela desistiu. Hora ou outra alguém me escreve perguntando algo sobre o romance e eu respondo. Samantha de Sousa começou uma sequência de anotações para escrever um artigo. E por aí segue… Eu penso que a gente precisa entender que muitas coisas em literatura (e quem for alternativo mais ainda e quem for da amazônia mais ainda e quem for alternativo na amazônia mais ainda do mais ainda… quase-Macondo) demandam a paciência de quem planta. A gente planta aqui planta acolá. E sai plantando… Sai regando… Nós, escritores, muitas vezes somos imediatistas. Queremos alguma resposta logo, a gente só falta é correr com uma caneta atrás de um leitor para autografar o livro para ele. Por fim… ainda sobre as repercussões do romance, tem quem me escreva falando sobre uma edição revisada. Talvez eu faça depois da tese”.

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