Por Jonas Furtado

Li, quase de um só lance, “Como bolhas ao ar”, do professor e escritor Abilio Pacheco. Quase de um só lance… não tivesse um lanche entremeado; está certo que esse intervalo deixou perder alguns fios do “tecido aéreo” (como diria/disse J. C. de Melo Neto). “Iludir a tragicidade dos homens e das coisas”, como bem corroborou o professor e poeta Airton Souza no prefácio, parece ser o cerne da obra – e em certa medida, o é – mas essa tragicidade implode/explode, como as bolhas de sabão, invisibilizadas e existentes.
Esse acervo de contos breves e brevíssimos traz primeiramente o título “Teoria do conto breve”, que já explode em palavras breves e/mas contundentes. “Sonambolibro” trouxe a ideia de eu/leitor, dentro da noite, aproveitar o acordado e ler e me sentir desaparecer – personagem. Passei por “Espólio” e o lume da leitura não me possibilitou voltar ao sono. “A cura” me deixou sem ar depois… por brevíssimo tempo – sugestionado. “Amante das leituras” descobri desde cedo… “A hora da estrela” talvez revelasse Macabéa partindo, atirando-se da frisa por ter alma de atriz. “O visitante de Porlock” (Porlock?) bem que me tirou personagem – escrevo o que se quer papel, se interrompido no fazejo… lá se foi o entendimento. “Curvas perfumadas” (li), pulemos – fique o perfume? A “Sinfonia” me fez pensar nas notas ausentes das músicas de outrora… “Porre de chopp” foi o culpado? Já “A carta” deixou as vestimentas como lembrança que talvez tenha ligação de sentido com “Pelo ralo”, com “Falando água” (a água em lágrimas e urina e falação), considerando a aridez de conhecimento humano e não dos sentimentos. Ri com o duplo sentido do “Cotonete” que já me avisava do jogo. Ah “Atlântida”… continua existindo na modernidade.. Se a “Rapunzel” arrependeu-se de ter cortado o cabelo? A minha não. “O pretendente” se fez homem como o sapo em príncipe? pra logo morrer…; já que só ele faltava “lambeijar” a moça. “Ritornelo” – queria o rei mesmo uma Cherazade! Estava esquecido ou se apaixonara… sei lá: ator principal. “Obsessão” trouxe uma canção do rei à cabeça… mas não ficou só nisso – a pavulagem dá pontos ao adversário. “Noel” já é gozação no século XXI. Morar debaixo da ponte vão muitos – “A casa do gênio”. “Ano novo”, tudo novo… outra vez. Enfim. O “Implícito” nestas linhas também vale.
E acabo por dar cabo da leitura. Urdidura certamente apreciada.
MINHA INDICAÇÃO DO MÊS.
(Editora Literacidade – 2015)

 

por jonas

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