Poema manifesto

Poema manifesto para este tempo de exceção


Eu queria um poema para estes tempos convulsos e confusos.
Mas o beijo se faz desfeiteiro nestes rostos tão próximos e
os abraços, ora são evitados, ora são dados de lado.
Poucas pessoas colam peito no peito. Menos ainda como Ana Maria,
Que abraça corpo a corpo, atravessando alma com alma.
Estamos em um tempo de beijos e abraços sovinados
Quando nem mesmo os bêbados nos dão tão sinceros.
A esperança são os putos e as putas, que não se negam,
São os companheiros e companheiras que sempre lutam
E se entregam à pauta de braços e abraços e corpo e alma.

Eu queria um poema para este tempo esvaziado de nexo.
Tempo de cabeças surdas, pensamentos exilados, panelas mudas,
muxoxos esnobes, olhos com viseira de burro, passos teleguiados e
mãos atrofiadas em seu incerto comodismo e suas certezas elitistas.
Tempo de mentalidade coxinhas, de manifestações TPF, de dissimulações,
De frivolidades, de atentados a conquistas sociais e de missas para torturadores.
Tempo de pactos e pec’s. De novas versões dos atos que já vimos.
De acordos tramados à surdina e questões fechadas em jantares de luxo
Com discretos avisos aos correligionários que desejarem votar contra.

Estou cansado e olho com desgosto este tempo de exceção.

Eu queria um poema para este tempo de escolas ocupadas.
São quase mil no Paraná. A maior resistência vem justamente
de onde existe um moro e uma enorme força reacionária.
São das escolas e universidades ocupadas que nos chegam
Vozes claras, convictas e jovens como a Ana Júlia Ribeiro,
Que da tribuna de uma casa de leis expôs a nudez do rei,
Mostrou a todos o óbvio que muitos não se negam a ver
E outros desligam o microfone e cérebro para não ouvir.

Eu queria um poema para este tempo de luta e resistência,
que fosse também um hino, um canto de combate, um grito
contra esse estado de negação de direitos e conquistas,
contra golpistas e ilegítimos, contra essa coisa aí.
Um poema manifesto que não fosse meu mas de todos.
Tome, portanto, este rascunho consigo, e escreva nele.
Modifique à vontade, ignore rimas ou regras… e deixa-se falar.
Ponha seu nome e espalhe. São versos de código aberto…

_________
Código aberto é um termo da informática que vou explicar como leigo que sou no assunto:
É um tipo de programa ou sistema em que o usuário (em geral avançado) pode modificá-lo como quiser. O Linux é um sistema de código aberto. A proposta do poema é exatamente esta: que você modifique, acrescente, emende, suprima, faça com ele o que você quiser. Eu mesmo amanhã vou fazer dele outra versão, e depois outra, e outra…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s