abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

Despropósito por Denis Girotto

Posted by Abilio Pacheco em 22 de setembro de 2015

desproposito[comentário extraído do perfil do facebook de Denis Girotto Brito]

Terminei agora a pouco de ler o livro “Em despropósito (mixórdia)”, do caríssimo Abilio Pacheco.

Recebi o livro da Editora LiteraCidade como parte da premiação pelo 3° lugar no PLC – Prêmio Literacidade 2015 e confesso que não me senti muito atraído, a princípio, a adentrar essas páginas. A explicação é simples: o velho hábito de julgar o livro pela capa (sim, eu faço muito isso). A imagem desfocada do Rio Tocantins (creio que seja) subposta a uma cadeia de DNA realmente não chamou minha atenção. Talvez por eu ter algum trauma escolar com a biologia ou simplesmente por algum rigor estético exclusivo meu. Sabe-se lá.

O fato é que ontem me atacou um alergia seguida de um resfriado e a missão de me manter em casa, meio acamado, me levou à curiosidade de lê-lo. Já ouviram o ditado “tem males que vêm para o bem?”. Pois é, bendito resfriado! Hehehe
Logo no primeiro capítulo fiquei encantado com o poder de narração do Abilio Pacheco. Não só o poder, mas a forma, a estética, o desenvolvimento. No texto, que o próprio autor diz não ser um romance, mas notas de terapia, o leitor se perde e se encontra em tempos e acontecimentos. A ordem cronológica da história é periodicamente interrompida por lembranças inseridas cá e acolá. Tudo de tal forma que prende muito bem o leitor nas nunces e segredos dos personagens. O protagonista, e narrador da própria história, pode muito bem coincidir com o autor do livro, embora isso não fique claro. E mesmo que seja, sabe lá quais trechos narrados são verídicos e quais são fantasiosos, pois como me disse certa vez uma amiga: escritores mentem.

Algumas questões políticas, sociológicas, históricas e psicológicas são abordadas. A mais evidente, sem dúvida, foi o conflito em Eldorado de Carajás na década de 90. O autor aborda muito bem sua visão e experiência sobre o caso, relatando episódios acontecidos na época e que, por ter morado ali próximo, teve contato direto. Friso pois, que essa visão é pessoal, embora compartilhada por tantos outros. Talvez se o livro tivesse sido escrito por uma policial envolvido no conflito ou por um integrante do movimento sem-terra o enredo tomasse outros rumos e conclusões.

Enfim, o que posso dizer é que o conteúdo do livro me surpreendeu. E foi uma bela surpresa. Bem feito pra mim que, a priori, quis julgar o livro pela capa. Rsrs

Parabéns pela belíssima obra, Abílio.

E agradeço à Editora Literacidade por ter-me presenteado com essa maravilha. Abraços do Girotto!

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