abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

uma nascente lírica

Posted by Abilio Pacheco em 4 de novembro de 2014

uma nascente lírica

Abilio Pacheco

Prefácio ao livro Nascente de Palavras de Rafael Miranda

Ao ler a capa deste livro, o leitor tem uma expectativa do que encontrar. Mas não é sempre assim? Claro que é, mas neste caso gostaríamos de destacar o quanto Márcia Abath captou o espírito da lírica de Rafael Miranda e presenteiou ao leitor com a belíssima re-leitura que esta na capa deste volume. ‘Nascente de palavras’ é um livro de origem, de brotação vertiginosa, jorro de sons e palavras, como parecem espandir-se na capa as imagens e cores da capista carioca.

Deixa-nos muito felizes encontrar autores como Rafael que escrevem de modo bifrontal, bi-cronos. Sua lírica é vazada tanto em versos metrificados na forma de sonetos, quanto em versos livres com ar de modernidade. Nesta lírica, também encontramos poemas com temática clássica na literatura, quanto podemos nos deparar com temas e motivos próprios de nosso tempo, a exemplo da temática da interconectividade da vida digital.

Em sonetos ou em versos livres: reflexões filosóficas, reflexões que espelham a idade adolescente, muitas sobre o amor e as mulheres, também ganham relevo neste trabalho poético. Ora ou outra com alguma ironia. Não estranhe o leitor se encontrar versos ao sabor de Álvares de Azevedo, seja no poema em que Rafael canta o cotidiano, aparentemente não lírico como a nudez da camaleoa, seja no desejo/medo de amar ou mesmo nos jogos cromáticos (como no ‘Soneto Lunar’).

Entretanto, ao contrário do poeta romântico a morte não tem aquele mesmo carater desejosamente mórbido. Rafael trata esta com uma proximidade não temerosa a ponto de querer convidá-la para uma cerveja no bar. A morte é parceira em vida, companheira vital, ante-tumular.

Também ao contrário de Álvares de Azevedo, a relação com a mulher aqui pode até apresentar um pouco de idealismo, mas está prenhe de uma carnalidade e de uma efusão de realidade e realismo próprios de uma experiência aparentemente verdadeira, coisa que só o poeta pode declarar; mas não o perguntemos.

Queríamos destacar ainda a força de seus poemas sobre a arte de escrever e sobre a arte de modo mais amplo. O poema ‘Arte’ revela um artista sintonizado com as questões mais presentes do pensamento estético enquanto ‘Autobiografia’, por exemplo, revela um autor com um alto grau de consciência de seu trabalho poético.

Rafael Miranda escolheu primorosamente o título de seu trabalho. ‘Nascente’ tanto se refere a algo que está no início quanto algo que continua, que prossegue… as águas correm para o mar. Para onde seguirão seus versos?

Uma resposta to “uma nascente lírica”

  1. Flavio Machado said

    Obrigado pelo envio

    abs

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