Trilha de textos

Slides da oficina ministrada (ou palestra) em Marabá em dezembro de 2012, no 1º Encontro Literário do Sul e Sudeste Paraense, evento integrante da Caravana dos escritores, projeto idealizado pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN), com recursos do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) (veja: em Max press ou ni site da BN).

Título da apresentação:
Uma trilha de textos para quem se deseja escritor:
primeiros passos num caminho nem de flores de nem pedras
Slides = FCCM BN PALESTRA trilha de textos.pdf

Oficina de criação

dezcaminhos

A oficina/mini-curso de criação literária que ministrei em Capanema, pela Editora LiteraCidade, no dia 02 de Maio de 2013, contou com o atencioso público de 92 pessoas. O assunto da oficina, que terminou tendo mais jeito de palestra (ou como me segredaram: aula magna), relacionava à criação literária em prosa ficcional longa, romancesca. Procurei demonstrar aos presentes alguns aspectos que considero importantes para a formação do escritor de prosa de ficção: a importância da leitura dos clássicos; um pequeno roteiro com textos que devem ser lidos em ordem (mais ou menos os mesmos citados no texto “caminhos das pedras” e na oficina ministrada em Marabá em Dezembro de 2012); fiz a leitura de meu texto “A porta de vidro” para conversar sobre as possíveis influências da experiência pessoal no processo criativo; e por fim alguns apontamentos sobre o que escrever, ou melhor, sobre a difícil busca pela “matéria vertente(*)” para a escrita de um romance, já que quase “tudo pode resultar em narrativa, mas nem tudo pode dar um conto, muito menos em romance”, conforme entendo.
O romance além de precisar da “matéria vertente” pode carecer de uma síntese reveladora de essências humanas e possibilitar “retardamento épico” com ações encaixadas (**) que além de prolongarem a narrativa cooperam para a constituição/construção de caracteres/personagens. Outra coisa importante é o fato de o romance se alimentar da própria literatura e de material linguísticos das mais variadas origens. “Em Despropósito (mixórdia)“, por exemplo, tem fragmentos transladados de outros romances, de peças de teatro, de poemas, de letras de canções, de comerciais de tv, de ditos populares, etc.

Registro aqui os agradecimentos a UFPA, campus de Capanema, na pessoa do coordenador Álvaro Lobo, a Gisele Leal, pelo apoio e cessão do auditório, a Simone Vieira, Antonio Erich e Luana Fontel, alunos do curso de Letras da UFPA-Capanema pela ajuda pré-evento e durante o evento. Também agradeço ao pessoal da Associação Cultural  Subsolo Estrupenique.

Abilio Pacheco

(*) matéria vertente – é uma expressão que está no “Grande sertão: Veredas” de Guimarães Rosa.
O narrador Riobaldo diz ao seu interlocutor sobre sua busca: “Eu queria decifrar as coisas que são importantes. E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente”. (http://www.um.pro.br/sertao/?r=p&t=p79&b=e)
(**) conceito oriundo da teoria da narrativa: “uma ação é introduzida numa outra que estava a ser narrada e que depois se retoma” –
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Modo_narrativo)

 

Caminhos das pedras

Caminho das pedras

Abilio Pacheco

Essa é uma expressão muito comum em se tratando de dar dicas para quem quer se tornar um escritor (literário) ou para quem quer seguir uma profissão que exige algo mais que a técnica. Já é mais do que óbvio, posto já ser deveras repetido, que para se tornar um bom escritor, o ideal é ler, ler bastante. Acrescento ainda que o ideal é ler bastante do gênero de texto que você pretende escrever. Para ser um bom poeta, leia bons poetas. Para ser um bom romancista, leia os bons romancistas.

No finzinho da adolescência, fui cheio de espinhas, empacotado num macacão do SENAI até o campus da Universidade Federal do Pará em Marabá procurar um professor de Literatura para ele me sugerir algum livro (teórico – acho que eu queria um manual ou algo assim) que me ensinasse a escrever poesia. O professor Gilson Penalva, que mais tarde de seria meu orientador de monitoria, exatamente da disciplina Teoria Literária, desconversou, disse-me da inutilidade que seria a teoria, que não haveria material didatizado sobre o assunto e, como eu insisti, terminou me encaminhando para um outro profissional do magistério. Sugeriu que eu fosse falar com uma professora do ensino médio de uma escola estadual.

Ora, eu não sou metade Continue Lendo “Caminhos das pedras”