Memórias de Março

Memórias de Março

Abilio Pacheco

Quando amanheço… leito manso e lento
Nesta manhã sob este sol silente
A cidade desperta calmamente
Ao meu olhar atônito e em tormento.

Uma canoa tangida pelo vento
Com as lembranças da última enchente
Em mim desliza e a cidade sente,
À margem, nos degraus, um leve alento.

Mas a tristeza morre neste instante
Quando, no Pontal, o Itacaiúnas
Vem, farto de canoas, desaguar…

E sou, portanto, este olhar brilhante
Cheio de lembranças, de botos, de buiúnas…
Que corre lento assim de encontro ao mar…

In: Pacheco, Abilio. Mosaico Primevo. Belém: Ed. do autor. 2008. pág. 30.

2 respostas para “Memórias de Março”

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