Um continho de Natal

Noel

Abilio Pacheco

Nunca entendera direito o porquê de seu nome. Na escola, as brincadeiras e gozações duravam o ano todo, mas pioravam em dezembro. Na idade adulta, uniam nome e homem, punham-lhe barba, gorro e roupas vermelhas. Nos anos em que as finanças estavam complicadas, para ganhar um extra, a solução era incorporar o bom velhinho em lojas de brinquedo e de departamento. Nesses anos, o ano novo mais lhe trazia melancolia que esperança renovada.

No último natal, não era necessário faturar um extra. Mesmo assim vestiu-se de vermelho, pôs gorro, barba, barriga, gargalhada e voz rouca. Com um saco de pano nas costas partiu rumo à carruagem com renas e anões que o esperava em frente ao shopping. Sentou-se às rédeas, disse os nomes das renas e uma por uma moveu orelhas e abriu olhos. Aí soltou a inconfundível gargalhada, brandiu a brida e adejou pelos céus de dezembro.

Amante das Leituras

Amante das Leituras (*)

Abilio Pacheco

O cônjuge não apresentava os sinais que lhe ensinaram. Mas havia algo. Sentia. Embora faltasse descobrir o pivô, tinha certeza. Era necessário observar mais atentamente.
Cuidados, afetos, carinhos eram mesmos, mas o olhar distante, como se vazado, o gesto frouxo, como se exausto, e o pensamento moroso, como se custasse a alcançar o que via ou ouvia… Daí, suspeita se firmava pachorra e inequívoca.
Montou tocaia. Preparou-se para o que fosse. Iria descobrir este comborço, camélia , valete de baralho. Caminhou pezinho ao de leve, girou lenta a maçaneta, abriu porta e descobrindo-o metido entre pilhas de volumes soube que o cônjuge era amante dos livros.
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(*) Conto escrito especialmente para o desafio de prosa da lista de discussão “Amante das Leituras“. Com este ainda belisquei o Segunda lugar.

Crimes e criminosos na literatura brasileira: o olhar de Lemos Britto (via blog da Revista Espaço Acadêmico)

Eu deveria dizer: think out the box.
Uma leitura pouco comum de nossa literatura. Vale a pena a visita.

Crimes e criminosos na literatura brasileira: o olhar de Lemos Britto por PAULO FERNANDO DE SOUZA CAMPOS* Em 11 de abril de 1941, em Grajaú, Rio de Janeiro, o acadêmico Lemos Britto concluía o texto introdutório do livro O crime e os criminosos na literatura brasileira. Muito provavelmente no recôndito de seu escritório, o ex-professor da Faculdade de Direito da Bahia afirmava que as letras nacionais ocupavam lugar de destaque no campo da criminologia, sobretudo entre investigadores e outros manipuladores técnicos … Read More

via blog da Revista Espaço Acadêmico