abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

Archive for dezembro \18\UTC 2010

Eisfluências 08 – dez2010

Posted by Abilio Pacheco em 18 de dezembro de 2010

Eis a Revista Eisfluencias de Dezembro de 2010.
Boa Leitura.
Abilio

eisfluencias08dez2010.pdf

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Mataram o cara

Posted by Abilio Pacheco em 15 de dezembro de 2010

Mataram o Cara (*)

O título desta crônica é, por si, deveras horrível. Não imagino um leitor que lendo o título e sabendo do que se trate tenha sentido vontade de ler o texto por causa dele. Salvo por alguma repugnância. Dar a notícia desse jeito é banalizar o fato. E vou meter-me em terreno, agora, perigosamente delicado. Como falar da imensa indignidade que é um assassinato por motivo fútil, sem inseri-lo numa sequência de eventos semelhantes de modo a transformá-lo em algo corriqueiro e cotidiano semelhante a olhar para os lados antes de atravessar a rua?

Por isso, não ataco o centro nem passo ao largo da morte a facadas do professor de educação física Kassio Vinícius Castro Gomes. Ele – para usar a chatinha linguagem do direito que tem invadido os noticiários – fora supostamente assassinado por um aluno que supostamente teria se chateado com uma suposta nota baixa. É melindre demais. Por que não dizer o estrito, direto, caroço? Mas voltemos… Não pretendo passar ao largo, pois seria uma conivência, quase uma cumplicidade. Mas também não posso atacar o centro, pois aí eu seria parcial e quase sumário. Como não sei detalhes dos motivos nem posso dar ao (suposto – sic) culpado o direito de defesa ou de voz, termino indo ao mais amplo e geral.

Vi numa reportagem sábado que nossas escolas são palco de violência e que grassa a insegurança e a impunidade. Não o nego, mas não ‘calango’. Pouco se escuta falar que em nossas escolas e – pasmem – faculdades, proliferasse não só discursos, mas também práticas de promoção automática, de superprotecionismo, de cuidado excessivo para não constranger o aluno, de cuidado para não prejudicá-lo com uma reprovação ou nota baixa.

Não me entendam mal. Não sinto prazer nisso. Não é meu trabalho, nem trabalho de professor algum que eu conheça e possa apontar atribuir nota baixa a algum discente por prazer ou perseguição. Não nego que isso exista, só quero que entendam que não faço apologia. Entretanto, trabalho mal feito, copiado de Internet, atendendo parcialmente instruções e enunciados… Deixem o professor trabalhar. Deixem que o professor atribua o conceito em conformidade com seus critérios e com suas orientações. Deixem-no fazer isso que também é seu trabalho: ensinar ética, ensinar promoção por merecimento, ensinar que a matrícula no curso não é garantia de aprovação. Deveriam preocupar-se com aqueles que não fazem isso e por não fazê-lo prestam um desserviço.

Aí, a atividade não merece nem um “I” e chega-lhe o orientador de pesquisa para lhe dizer que seja condescendente. Se tiver baixo rendimento, tadinho, fica sem bolsa. Não deveria ser o contrário? Não deveria, desde o primeiro dia ter consciência de que não poderia tirar menos que “B”? A obrigação de bom rendimento para bolsistas não deveria ser um instrumento de promoção automática, mas de incentivo ao bom rendimento. Quer dizer: A obrigação de bom rendimento para bolsistas não deveria ser um instrumento de promoção automática, mas de incentivo ao bom rendimento?

Fiquei esperando ainda que a reportagem atacasse ou discutisse as causas de violência na escola. Esperando que apontassem a falta de limites de nossos jovens secundaristas. Ou falassem do pensamento pedagógico que tem predominado nas instituições de ensino brasileiras, cuja meta principal tem sido estáticas de promoção e de não evasão, e agora os índices qualitativos governamentais, em detrimento de fatores ligados à verdadeira aprendizagem e à promoção por mérito.

Acostumados desde as séries iniciais ao protecionismo absoluto, à não-reprovação e à falta de limites éticos, nossos jovens têm chegado desse jeito a faculdades e universidades. Disse que era delicado e perigoso esse terreno. Disse também que não iria atacar o centro do problema nem passar ao largo… O leitor já percebeu claramente: enquanto esse quadro perdurar em nossas escolas, a insatisfação por uma nota baixa ou uma reprovação, em vez de motivar o aprendizado, ainda poderá resultar em outros Kassios mortos a facadas, a tiros, a pontapés… a indignidade.

Belém, 13 de dezembro de 2010.
Abilio Pacheco

(*) Texto originalmente escrito para o Bar ContemporArtes da Revista ContemporArtes ISSN – 2177-4404 e foi publicado em: http://revistacontemporartes.blogspot.com/2010/12/mataram-o-cara.html na última terça-feira.

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Um continho de Natal

Posted by Abilio Pacheco em 14 de dezembro de 2010

Noel

Abilio Pacheco

Nunca entendera direito o porquê de seu nome. Na escola, as brincadeiras e gozações duravam o ano todo, mas pioravam em dezembro. Na idade adulta, uniam nome e homem, punham-lhe barba, gorro e roupas vermelhas. Nos anos em que as finanças estavam complicadas, para ganhar um extra, a solução era incorporar o bom velhinho em lojas de brinquedo e de departamento. Nesses anos, o ano novo mais lhe trazia melancolia que esperança renovada.

No último natal, não era necessário faturar um extra. Mesmo assim vestiu-se de vermelho, pôs gorro, barba, barriga, gargalhada e voz rouca. Com um saco de pano nas costas partiu rumo à carruagem com renas e anões que o esperava em frente ao shopping. Sentou-se às rédeas, disse os nomes das renas e uma por uma moveu orelhas e abriu olhos. Aí soltou a inconfundível gargalhada, brandiu a brida e adejou pelos céus de dezembro.

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Amante das Leituras

Posted by Abilio Pacheco em 12 de dezembro de 2010

Amante das Leituras (*)

Abilio Pacheco

O cônjuge não apresentava os sinais que lhe ensinaram. Mas havia algo. Sentia. Embora faltasse descobrir o pivô, tinha certeza. Era necessário observar mais atentamente.
Cuidados, afetos, carinhos eram mesmos, mas o olhar distante, como se vazado, o gesto frouxo, como se exausto, e o pensamento moroso, como se custasse a alcançar o que via ou ouvia… Daí, suspeita se firmava pachorra e inequívoca.
Montou tocaia. Preparou-se para o que fosse. Iria descobrir este comborço, camélia , valete de baralho. Caminhou pezinho ao de leve, girou lenta a maçaneta, abriu porta e descobrindo-o metido entre pilhas de volumes soube que o cônjuge era amante dos livros.
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Professor universitário, escritor e organizador de antologias. Três livros publicados. É membro correspondente da Academia de Letras do Sul e Sudeste Paraense (com sede em Marabá), integra o conselho de redacção da Revista EisFluências, de Portugal, é Cônsul dos Poetas Del Mundo no Estado do Pará e é Embaixador da Paz pelo Cercle Universal des Ambassadeurs de la Pax (Genebra-Suiça). Email para contato: abilioescritor. Site: www.abiliopacheco.com.br.

(*) Conto escrito especialmente para o desafio de prosa da lista de discussão “Amante das Leituras“. Com este ainda belisquei o Segunda lugar.

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Crimes e criminosos na literatura brasileira: o olhar de Lemos Britto (via blog da Revista Espaço Acadêmico)

Posted by Abilio Pacheco em 11 de dezembro de 2010

Eu deveria dizer: think out the box.
Uma leitura pouco comum de nossa literatura. Vale a pena a visita.

Crimes e criminosos na literatura brasileira: o olhar de Lemos Britto por PAULO FERNANDO DE SOUZA CAMPOS* Em 11 de abril de 1941, em Grajaú, Rio de Janeiro, o acadêmico Lemos Britto concluía o texto introdutório do livro O crime e os criminosos na literatura brasileira. Muito provavelmente no recôndito de seu escritório, o ex-professor da Faculdade de Direito da Bahia afirmava que as letras nacionais ocupavam lugar de destaque no campo da criminologia, sobretudo entre investigadores e outros manipuladores técnicos … Read More

via blog da Revista Espaço Acadêmico

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