abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

Ainda o ENEM

Posted by Abilio Pacheco em 14 de novembro de 2010

Ainda o ENEM

Não. Não é uma crônica. É só uma anotação.
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A crônica de quarta, dia 10, “lets save enem” causou furor. Evitei começar a escrever crônicas, pois é um gênero sem máscara narrativa. Nela, é o autor mesmo quem fala. Não que eu evite a discussão, mas também não corro para ela.

Pois bem, pouco mais de meia dúzia de comentários postados no meu site/blog tiveram que ser deletados. Alguns não me entenderam, mas a culpa é minha. Entretanto, seja lá como me entenderam, tolerância! Nunca imaginei que uma possível opção sobre o exame fosse causar palavrões, ofensas e respostas tão passionais como não vira nem quando escrevi os três textos diretamente sobre política (marina, naturalmentemarina, independentecavalo de tróia).

Alguns desses comentários, diziam que eu não tomava partido algum e que queriam mesmo saber afinal qual era a minha opinião. O que eu faria no lugar do Haddad? Primeiro, estou bem no meu posto de soldado. Segundo, se Paulo Renato ex-ministro da educação disse no Entre Aspas, da Globo News, que não tinha uma sugestão, terei eu? Terceiro, sugerindo ou não, a crônica para mim ainda é um prazer que vale mais pelo texto que pelas ideias. Mesmo assim, vamos às ideias e vamos tentar dar uma resposta.

Citei Paulo Renato também para isto: ele disse que um dos problemas do atual ENEM é que não se deve confundir um instrumento de avaliação de nível de ensino com instrumento de acesso ao nível seguinte. Ora, não usamos estas palavras, mas foi por isso que não montamos (eu e alguns outros da minha boa turma de Letras 97) grupo de estudo para o Provão, hoje ENADE. Fazer grupo de estudo é mascarar o aprendizado na graduação. Fazer preparatório para ENEM, idem. Ao transformar o ENEM em instrumento de acesso, passaram a pulular preparatórios até em cursinhos populares. Não o nego: eu mesmo ministrei aulas de preparação para o ENEM nos meus tempos de Rego Barros (ETRB).

Para que o deste ano seja salvo (porque não se pode perder de vista o quanto há de prejuízo financeiro para o governo, os cofres públicos, nossos impostos), a saída é fazê-lo voltar às origens e deixar as próprias faculdades fazerem seus exames seletivos. Quanto ao prejuízo financeiro dos alunos, aí é bom começar a pensar no ENEM como produto ou serviço e puxar o código de defesa do consumidor e fazer como fazem as companhias áreas quando não têm mais acentos, bancar o bilhete em outra companhia, ou seja, custear o inevitável pagamento de outra taxa em outro processo seletivo.
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Acho que terminou sendo uma crônica. Não era a intenção. Sugiro que voltem à crônica de quarta, 10, e leiam os comentários lá postados. Como já disse, os ofensivos eu não aprovei.

Belém, 14 de novembro de 2010.
Abilio Pacheco, professor, escritor

Uma resposta to “Ainda o ENEM”

  1. […] passado eu escrevi sobre o ENEM em duas crônicas que publiquei aqui e aqui. Mas parece-me que o problema está tão recente que não parece ter sido ano passado. Ademais o […]

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