Salvemos o ENEM

Let’s Save Enem!

Meus caros! My english is very bad, por isso fui de espanhol no vestibular, na seleção de mestrado e em tudo quanto foi de necessidade com língua estrangeira. Exceto no ENEM, que não fiz. Não é do meu tempo. Mas a discussão da inclusão do espanhol no currículo mínimo do ensino médio, quero dizer, do segundo grau, esta é do meu tempo.

Pobres meninos e meninas de meu Brasil que se mataram o ano todo para um exame que era para ser um substituto parcial ou integral do famigerado vestibular. Pensei nele como um placebo, mas saiu-me um remédio amargo com efeito de revés. Por pior que fossem os vestibulares, nenhum deles, nunca, nunquinha fez um estrago tão grande nas mentes de nossos jovens, que antes se preocupavam com o conteúdo, com aprender coisa que às vezes não ajuda a atravessar a rua, mas agora têm que se preocupar com artimanhas jurídicas para derrubar ou manter o exame, têm que se preocupar com o que escrevem nas redes sociais, pois estão sendo monitorados. Era um ensaio para a vida, mas está sendo a vida mesmo.

É por isso que eu até falo mal do governo; falo mas não escrevo. Não falo de bem também para não encher demais a bola quando merecem. Mas também não vou escrever de bem. Já tem muitos fazendo isso. Agora, como dizem aqui nessas plagas, agora por cá esta palha; é preciso salvar o ENEM. Salvar o ENEM ou acabar de vez com ele. Quem sabe trocar seu nome, como empresas (e até instituições públicas) fazem quando não há marketing que resolva. Mas isto, só de 2011 para diante, pois hoje, repito: temos que salvar o ENEM.

Depois do desastroso exame do ano passado e de ter ficado com a imagem abalada diante de nossos jovens e, sabe-se lá, até diante de instituições públicas sérias que logo pularam de banda e cortaram o exame de seus processos de acesso… Depois de não sei que erros cometidos no ano passado, era necessário que este ano fosse tudo as mil, mas não foi. Quem trabalha com marketing sabe melhor que eu que um cliente (sim, os alunos = clientes) insatisfeito pode levar 10 embora. Os tais 2% no que se refere às provas amarelas vão ter seu alto-falante. São clientes insatisfeitos. Por mais que as explicações jurídicas mantenham o exame desse ano e que a tal fórmula tão citada tantas vezes convença e tenham que refazer a prova, é como comprar um produto qualquer e ter que trocá-lo. O prazer da compra já se esvaiu. A confiança no fabricante se perdeu.

Entretanto os alunos são uma clientela forçada. Eles não têm opção. Eles têm que fazer este exame que nasceu para não dar certo. A começar pela forma como o programa é elaborado. A estrela é bonitinha graficamente, as explicações são tão complicadas para as cabecinhas desses meninos que se caísse na prova como é organizado o conteúdo eles não saberiam responder, a intercessão de conteúdos de áreas distintas nas mesmas questões é tão brilhante que muitos de nossos professores acostumados com a não transversalidade não conseguem responder ou explicar, os conteúdos nacionais esquecem que os currículos são regionalizados e que parte do que se chama nacional é de uma região econômico e culturalmente dominante e para lista acabar logo, que o parágrafo já está muito grande, diante das desigualdades escolares existentes no país e da razoável facilidade de migração das regiões ‘hegemônicas’ para as afastadas, uma prova nacional pode acabar por atrapalhar o acesso de alunos de regiões periféricas às vagas próximas regionalmente e tangíveis por nivelamento.

Mesmo assim é preciso salvar o ENEM. O deste ano. Os gastos com elaboração de questões, revisão, diagramação, impressão, catalogação, encadernação, distribuição, logística, combustível, coordenadores de escola, aplicadores et cetera. Vamos aceitar o argumento do Fernando, poupar milhões de reais nossos, deixar nossos alunos estudarem para fazerem os vestibulares tradicionais que dão apenas as dores de cabeça tradicionais, investir em educação, quero dizer, em ensino. É preciso transformar essas fórmulas mirabolantes em algo concreto para todo os brasis. É preciso abolir as maquiagens (mesmo que as usemos este ano) e fazer os projetos se efetivarem de maneira significativa e não como essa indefinida protelação (desde Collor ou Itamar?) de que o espanhol é obrigatório no país.

Belém, 10 de novembro de 2010.
Abilio Pacheco, professor, escritor
ps: se a censura me achar, vou espalhar panfletos!
anônimos, é claro!

19 respostas para “Salvemos o ENEM”

  1. Professor!

    Compartilho seu anseio de salvar o ENEM, pois nesses últimos meses minha filha viveu essa angústia e na última semana, roeu os pedacinhos de unha que lhe restaram em tão pequeninas mãos, mãos de quem quer segurar no rabo do foguete e entrar em uma universidade, o sonho de milhões de jovenzinhos que estão agora tentando ainda entender o que está acontecendo, para que estão sendo “testados”. Enfim, precisamos de fato, salvar o ENEM!

  2. Parabens pela sua crônica Professor!
    ano passado fiz o ENEM e sei um pouco do que esses alunos estão passando, dou graças a Deus por eu já ter entrado na universidade e não ter que passar por isso de novo.

  3. Salvar o ENEM para quem? para os estudantes da classe média/alta? ou para os estudantes da rede pública? (que já esta perdido mesmo antes de começar). Enquanto existirem burocratas de bumbum sentado sem ter ao menos o trabalho de revisar o que se escreve vamos continuar assim, salvar o ENEM para quem? e o prejuízo de quem investiu caro na preparação dos seus filhos nos cursinhos da vida, salvar o ENEM para quem?

    É a minha opinião, mas pode não ser a sua em um páis pais democratico ainda podemos escrever a nossa opinião!

  4. Quando fiz o ENEM em 2007 ele não passou de um teste prévio de conhecimentos, já que não utilizei a pontuação para nenhuma universidade, principalmente porque não tinha ligação com as públicas.

    Assim, a prova do ENEM não é de todo ruim. Acho bastante interessante a conexão entre os diversos conteúdos e atualidades.

    Mas, tenho uma opinião mais contra do que a favor, pois do jeito que o ensino médio deixou de ter o papel de formação de “seres pensantes” e tornou-se apenas um período de “treinamento” para uma prova específica, com a adesão do ENEM a tendência do conhecimento é ser cada vez mais dissolvido em nada.

    Por exemplo, com as ciências exatas. Não adianta facilitar a vida do estudante com questões “básicas”, porque o problema apenas vai comutar de lugar, ao invés de ser no ensino médio será na universidade. (Caso o aluno deseje cursar engenharias ou mesmo ciências básicas como física, química, matemática etc.) Podem achar absurdo a quantidade de conteúdo vista no Ensino médio, mas é tudo pré-requisito para resolução de problemas mais complicados.

    Concordo também quando você menciona a diferença entre regiões, visto que o Brasil não é homogêneo é difícil fazer uma única prova para um nivelamento nacional.

    Bem… o problema da educação no Brasil é muito maior do que as provas do ENEM. :)

    Nota: Engraçado é ver gente torcendo para que anulem a prova como se na próxima vez fosse “fechar”. :D

  5. O problema é que alguns dirigentes não tem idéia da imensidão de nosso País, estão acostumados a desenvolver atividades a algumas regiões e quando tem que atender todas, o negócio é mais embaixo, o que deveria acontecer é uma licitação para cada Região ou Estado, para que se desse algum problemas, bastava anular um determinado vestibular, e outra, jamais a avaliação tem que ser comum a todos os Brasileiros, facilita que a prova vaze, ela tem que ter o mesmo nível de complexidade, mas não a mesma prova, deveria ser desenvolvido tipos de provas diferentes para cada região ou Estados.
    A Educação até que tem dinheiro, o problema é que empregado de forma iresponsável.

  6. Bom dia Mr. Abílio.

    Inicialmente rendo-me a vossa “tese”. Na verdade o estudante contemporâneo é portador de transtornos psíquicos que, notoriamente geraram patologias…, especificamente as fóbicas.
    Ele se trasveste, por vezes de aventureiro,- sabe porque amigo?
    – É porque na …sala de aula é orientado…por docentes portadores, também de transtornos…
    – De um lado porque os seus honorários não cobrem se quer as necessidades primárias…;
    – De outro, porque não podem atender os anseios sociais de suas proles;
    – De outro, porque perderam a autoridade plena… para educar a sua matéria-prima…
    Dizia meu saudoso “Pai”: “Gilford, vestibular não avalia conhecimento de discípulo. Na minha época a avaliação…acontecia através da prova final do Curso Elefante. Nem se falava em vestibular. A coisa era assim: Os concludentes do último ano, do curso em referência, que tirassem as melhores notas eram matriculados nas Faculdades. Mas antes, passavam por avaliação psicológica, para, de fato detectar-se: a capacidade cognitiva e a vocacional”.
    Eu,Nesta deixa pergunto-lhe: – Por que não ressuscitar aquela bem sucedida metodologia…? – Por que não rever com carinho a “Escola antiga” e em parte mesclá-la à “Escola moderna”?
    Encerro o comentário, afirmando: A coruja está de olhos arregalados… e, demasiadamente apetitosa; concordas…?
    Parabéns por mais esta luminária, amigão!
    Bom trabalho.
    Abraço.
    Gilford Meneses.

  7. Querido amigo Abílio.

    Parabéns pelo conteúdo de tua crônica. Alguém precisa posicionar-se diante destas aberrações ocorridas no Ensino, particularmente aqui, no tão falado ENEM, em nosso país.

    Sou admiradora de vc. como pessoa e dos seus escritos.

    Abraços literários
    Arlete Deretti Fernandes

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