Quarta capa

Riscos no Barro lembra as incursões juvenis sobre a atividade maestral do pensar, uma espécie de iniciação na intelectualidade. O livro traz isso, ensaios que expressam essa fase germinadora de pesquisadores com grande potencial e que se encontram em verve desenvolvimento. Ensaios em que o narrador enquanto categoria é mapeado teoricamente, em busca de revelar o “puro em si” benjaminiano que precisa ainda hoje ser discutido, principalmente, quando se torna evidente o desejo por entender que o “problema do narrador” não se resolve, mas se aprofunda à medida que mergulhamos mais e mais no que hoje ainda chamamos de contemporaneidade, certos de que poderíamos dizê-la ambiguítas. Os novos estudos teóricos da narratividade e da narrativa contemporânea não seriam suficiente para revelar o que existe, mas caminha como nos ensaios em questão colaborando com o vasto bojo bibliográfico que encontramos na área de estudos de teoria literária. Na leitura e organização bem didática, saímos de um texto mais basilar ate alcançarmos um status mais denso de sua produção, mas fica claro a escolha do título, pois com ele caminhamos entre os ensaios tateado as discussões no barro (cru e ríspido) entre riscos (insight) e rabiscos (inserções, proposições) para se construir as elucubrações da contemporaneidade, em um caminho íngreme e irregular e recheado de Riscos no Barro.

Augusto Sarmento-Pantoja
Professor de Literatura Vernácula
Universidade Federal do Pará