abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

Arquivo da categoria ‘ll – poemas’

Alguns poemas meus e links para páginas onde foram publicados.

poesia silencio

Publicado por Abilio Pacheco em 6 de janeiro de 2012

a poesia requer silêncio, requer ausências, ócios,
mesmo em meio a barulhos, ruídos e gritos,
mesmo em meio a gente, multidões, afazeres

o que ela quer é instalar-se, impregnar-se, emprenhar-nos
e de dentro fazer-se voz e grito, presença e trabalho

Abilio Pacheco – Belém, 06 de janeiro de 2012.

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cancao para 2012

Publicado por Abilio Pacheco em 2 de janeiro de 2012

canção (desnorteada) para 2012

tenho pra mim que este ano será diferente
tudo indica que não será como o que passou
vejam na tv que já começou deveras desigual
não teve mortes, acidentes, desastres ou explosões

começou sem notícias de bebês nascendo,
sem votos de felicidades, sem fogos de artifício
ninguém prometeu mudar, consertar erros,
fazer diferente, emagrecer ou aprender línguas

tenho pra mim que este ano será diferente
sem reformas em ministérios ou secretarias
sem salário de fome acrescentado um pouquinho
sem novos projetos pessoais, familiares ou públicos,

é que a cartilha rota e gasta não deve mais ser usada
e ano novo nasce como nasce um dia novo
sem mais quê nem por quê
mas farto de quês e por quês

abilio pacheco – 02-01-2012

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Fotografia – memória

Publicado por Abilio Pacheco em 25 de dezembro de 2011

Fotografia

Queria a realidade,
mas à câmera
o olho no espaço escuro

Cria a realidade,
mas a câmera ao olho
é espaço obscuro

Cromos, cronos;
cones, ícones
captura o que
(não) há

: memória

Abilio Pacheco

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poema de natal

Publicado por Abilio Pacheco em 13 de dezembro de 2011

À ceia

Abilio Pacheco

À espera do menino-deus
Todos nos reunimos à mesa farta
Em salas limpas e claras.

Senhor, nos dezembros sempre perdoai-nos;
Vós – feito homem – em Belém,
Viestes a nós em manjedoura.

Que vosso (re)nascer na gruta
(suja e escura) de cada coração
venha aclarar-nos e aclinar-nos
paredes, vãos e galerias
de nossos espesso, fissurado ser.

-> Este poema obteve menção honrosa no I Concurso de Natal organizado por Ângela Togeiro.

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Memórias de Março

Publicado por Abilio Pacheco em 12 de dezembro de 2011

Memórias de Março

Abilio Pacheco

Quando amanheço… leito manso e lento
Nesta manhã sob este sol silente
A cidade desperta calmamente
Ao meu olhar atônito e em tormento.

Uma canoa tangida pelo vento
Com as lembranças da última enchente
Em mim desliza e a cidade sente,
À margem, nos degraus, um leve alento.

Mas a tristeza morre neste instante
Quando, no Pontal, o Itacaiúnas
Vem, farto de canoas, desaguar…

E sou, portanto, este olhar brilhante
Cheio de lembranças, de botos, de buiúnas…
Que corre lento assim de encontro ao mar…

In: Pacheco, Abilio. Mosaico Primevo. Belém: Ed. do autor. 2008. pág. 30.

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