abilio pacheco

professor de literatura (ufpa), escritor e revisor de textos

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eisfluencias 15 Abril de 2012

Publicado por Abilio Pacheco em 15 de abril de 2012

Eis mais uma edição da Revista Eisfluências. Boa ponte entre Brasil e Portugal.
A Revista é dirigida por Victor Jerónimo, tem por Diretora Cultural Carmo Vasconcelos (Portugal) e a responsável pela Redação é Mercedes Pordeus (Brasil).

A Revista é bimestral, está no décimo sexto número. Seu ISSN – 2177-5761.
Na presente edição, fui ‘premiado’ com a escolha de meu texto para abrir a revista, mas devo advertir que toda a revista merece uma leitura atenta.

Eis o sumário completo:

- O Caminho das Pedras – por Abílio Pacheco.
- La Religión en España desde el Medievo Hasta Nuestros Días… – por María Sánchez Fernández
- El Liderazgo de La Mujer en el 2012; e Poesia – por María Cristina Garay Andrade
- Poesia de Irene Mercedes Aguirre
- Uma prosade Gabriel García Márques
- Mulher,Estilo de Vida – por Faustino Vicente
- Mulher; e Poesia – por Fahed Daher
- Correcção duma Sociedade Máscula de Via Única; e Investigação sobre Imoralidade na Riqueza – por António Justo
- Um Anjo, um Menininho e Duas Garças; e Poesia – por Luiz Gilberto de Barros
- O Céu e o Inferno; e Poesiapor Humberto Rodrigues Neto
- Obra de Fernando Pessoa em exposição na Gulbenkian – Notícia Literária
- O Miraculoso Apreço por Estrela; e Poesia – por Carlos Lúcio Gontijo
- Um Pensamento – de Manuel Bandeira
- O dia em que Bruce Willis se perdeu no Recife; e Poesia – por Clóvis Campêlo
- O Albatroz (Homenageando o aniversário de Baudelaire) – por Oleg Almeida
- O Advento da Internet e a Poesia Compartilhada – por Marco Bastos
- Poesiade Carmo Vasconcelos e de Renã Leite Pontes
- Notícias de Cabo Verde; e Poesia – por Nuno Rebocho

Boa leitura!

Download da edicao 16

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falando agua

Publicado por Abilio Pacheco em 23 de janeiro de 2012

Falando água

A região era inóspita, quente e seca, além do ar rarefeito; carecia de chuva. E de um milagre. Profetas, anciãos, pregadores… já haviam tentado rezas, orações, sacrifícios. A ciência também não deu jeito; quando foram bombardear as nuvens o céu estava limpo.

O filho do prefeito disse que deveriam chamar um primo parolador. Afinal, todos diziam que ele só falava água.

A primeira dama trouxe-o de uma cidade vizinha e levou-o a mais alta torre.

De lá o primo começou um discurso lento e longo. E úmido. Logo o calor e a aridez foram vencidos por gotículas de saliva.

Abilio Pacheco

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poesia silencio

Publicado por Abilio Pacheco em 6 de janeiro de 2012

a poesia requer silêncio, requer ausências, ócios,
mesmo em meio a barulhos, ruídos e gritos,
mesmo em meio a gente, multidões, afazeres

o que ela quer é instalar-se, impregnar-se, emprenhar-nos
e de dentro fazer-se voz e grito, presença e trabalho

Abilio Pacheco – Belém, 06 de janeiro de 2012.

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cancao para 2012

Publicado por Abilio Pacheco em 2 de janeiro de 2012

canção (desnorteada) para 2012

tenho pra mim que este ano será diferente
tudo indica que não será como o que passou
vejam na tv que já começou deveras desigual
não teve mortes, acidentes, desastres ou explosões

começou sem notícias de bebês nascendo,
sem votos de felicidades, sem fogos de artifício
ninguém prometeu mudar, consertar erros,
fazer diferente, emagrecer ou aprender línguas

tenho pra mim que este ano será diferente
sem reformas em ministérios ou secretarias
sem salário de fome acrescentado um pouquinho
sem novos projetos pessoais, familiares ou públicos,

é que a cartilha rota e gasta não deve mais ser usada
e ano novo nasce como nasce um dia novo
sem mais quê nem por quê
mas farto de quês e por quês

abilio pacheco – 02-01-2012

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Fotografia – memória

Publicado por Abilio Pacheco em 25 de dezembro de 2011

Fotografia

Queria a realidade,
mas à câmera
o olho no espaço escuro

Cria a realidade,
mas a câmera ao olho
é espaço obscuro

Cromos, cronos;
cones, ícones
captura o que
(não) há

: memória

Abilio Pacheco

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